EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS

quinta-feira, 16 de fevereiro de 2012

Dom Rifan orienta sobre o Carnaval

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O CARNAVAL

Dom Fernando Arêas Rifan*

Estamos próximos do Carnaval, atualmente uma festa totalmente profana e nada edificante. Ao lado de desfiles deslumbrantes das escolas de samba, com todo o seu requinte, riqueza de detalhes, fantasias fascinantes, desperdício de dinheiro, exposição de luxo, vaidade e também despudor, presencia-se paralelamente uma verdadeira bacanal de orgias e festas mundanas, cheias de licenciosidade, onde se pensa que tudo é permitido. Nesses dias, a moral vem abaixo: até as pessoas mais sérias se mostram debochadas, a imoralidade e a libertinagem campeiam, a pureza perece e a tranquilidade desaparece. Infelizmente, há muito tempo que o Carnaval deixou de ser apenas um folguedo popular, uma festa quase inocente, uma brincadeira de rua, uma diversão até certo ponto sadia.

Segundo uma teoria, a origem da palavra “carnaval” vem do latim “carne vale”, “adeus à carne”, pois no dia seguinte começava o período da Quaresma, tempo em que os cristãos se abstêm de comer carne, por penitência. Daí que, ao se despedirem da carne na terça-feira que antecede a Quarta-Feira de Cinzas, se fazia uma boa refeição, comendo carne evidentemente, e a ela davam adeus. Tudo isso, só explicável no ambiente cristão, deu origem a uma festa nada cristã. Vê-se como o sagrado e o profano estão bem próximos, e este pode contaminar aquele. Como hoje acontece com as festas religiosas, quando o profano que nasce em torno do sagrado, o acaba abafando e profanando. Isso ocorre até no Natal e nas festas dos padroeiros das cidades e vilas. O acessório ocupa o lugar do principal, que fica prejudicado, esquecido e profanado.

A grande festa cristã é a festa da Páscoa, antecedida imediatamente pela Semana Santa, para a qual se prepara com a Quaresma, que tem início na Quarta-Feira de Cinzas, sinal de penitência. Por isso, é a data da Páscoa que regula a data do Carnaval, que precede a Quarta-Feira de Cinzas, caindo sempre este 47 dias antes da Páscoa.

Devido à devassidão que acontecem nesses dias de folia, os cristãos mais conscientes preferem se retirar do tumulto e se entregar ao recolhimento e à oração. É o que se chama “retiro de Carnaval”, altamente aconselhável para quem quer se afastar do barulho e se dedicar um pouco a refletir no único necessário, a salvação eterna. É tempo de se pensar em Deus, na própria alma, na missão de cada um, na necessidade de estar bem com Deus e com a própria consciência. “O barulho não faz bem e o bem não faz barulho”, dizia São Francisco de Sales.
Já nos advertia São Paulo: “Não vos conformeis com esse século” (Rm 12,2); “Já vos disse muitas vezes, e agora o repito, chorando: há muitos por aí que se comportam como inimigos da cruz de Cristo. O fim deles é a perdição, o deus deles é o ventre, a glória deles está no que é vergonhoso, apreciam só as coisas terrenas” (Fl 3, 18-19); “Os que se servem deste mundo, não se detenham nele, pois a figura deste mundo passa” (cf. 1 Cor 7, 31).

Passemos, pois, este tempo na tranquilidade do lar, em algum lugar mais calmo ou, melhor ainda, participando de algum retiro espiritual. Bom descanso e recolhimento para todos!

(*) - Bispo da Administração Apostólica Pessoal São João Maria Vianney

sexta-feira, 6 de janeiro de 2012

A importância da posição de joelhos



A Eucaristia: o dom recebido

É de fundamental relevância o momento da recepção do sacramento eucarístico. Este exige do fiel comungante uma atitude receptiva, pois a Eucaristia foi, é e será o dom recebido. É o dom, e não apenas um dom. A Eucaristia encerra todos os dons, pois condensa sacramentalmente a presença real de Nosso Senhor, isto é, o próprio autor de todo dom, de toda graça. A Eucaristia é sempre recebida, oferecida, transmitida e isso acontece ao Pai, pelo Filho, no Espírito Santo.

A posição de joelhos como um gesto cristológico

A tradição multissecular da Igreja sempre compreendeu que a forma de comungar é de joelhos e na boca. O então cardeal Joseph Ratzinger, em seu livro introdução ao espírito da liturgia diz: “A posição de joelhos não é apenas um gesto cristão, mas também um gesto cristológico”. Nos ajoelhamos para receber a eucaristia porque é um gesto cristológico, isto é, não é algo exterior somente, mas algo profundamente cristológico, que nos aproxima do Cristo vivo. Quem se ajoelha diante da eucaristia rompe com o orgulho e humildemente reconhece que ali está quem é maior.

Muitos questionam o gesto de ajoelhar, como se pervertesse o sentido de que Deus se fez simples, como uma exacerbação, um exagero. Ora, o que fazemos diante dos pequenos? não nos rebaixamos a eles? Quando conversamos ou abraçamos as crianças, nos rebaixamos para que elas sejam elevadas, para que elas sejam dignificadas e não rebaixadas pela nossa maior estatura. O Deus que se rebaixou, que se despojou de sua glória nos dignificou. Qual o nosso gesto diante da grandeza que recebemos? Nos ajoelhamos diante da Eucaristia, porque Deus se fez um de nós, justamente porque ele se rebaixou. A atitude diante da kénosis de Deus é também a kénosis do humano. Se Deus deixou a sua glória para nos elevar, nós também fazemos como Ele, nos rebaixamos porque reconhecemos que é dele que provém toda glória.

A dimensão pascal do gesto de ajoelhar-se

Se pensarmos que a glória foi-nos dada por meio do mistério pascal, e por isso devemos permanecer de pé, pois estamos ressuscitados, esvaziamos o sentido de elevação pela humilhação que a própria páscoa é. Cristo se humilhou para nos elevar, sem o sentido de rebaixamento não podemos viver como ressuscitados, não há ressurreição sem morte. Na liturgia vivemos o mistério pascal que consiste em morte e ressurreição; quando nos colocamos em pé é evidenciado o sentido de ressurreição, quando nos colocamos de joelhos é evidenciado o sentido de morte, de despojamento, de humildade. Não há dicotomia entre morte e ressurreição.

É um verdadeiro absurdo não se ajoelhar em uma celebração eucarística; contradiz o real significado da páscoa que é atualizada por meio do sacramento eucarístico. A atitude obediente de se ajoelhar nos momentos específicos, que a piedade eucarística ao longo dos séculos desenvolveu, é profundamente consonante com a riqueza litúrgica e espiritual da fé católica (Lex orandi, Lex credendi: a lei da oração é a lei da fé). Por isso todos os fiéis são chamados a se ajoelharem diante da Eucaristia, seja no momento da consagração, seja na recepção das sagradas espécies ou da exposição do Santíssimo Sacramento, ao passar diante do sacrário, etc. Todos são chamados, e não obrigados. A Igreja não ensina a estrita obrigação, mas chama à obediência livre e consciente de suas normas litúrgicas. Além de ser uma norma litúrgica, a posição de joelhos é uma manifestação da fé no Cristo presente na Eucaristia. Quando se reconhece essa presença real, a posição de joelhos flui naturalmente pela razão e sobrenaturalmente pela graça. Ajoelhar-se não é somente um ato de fé, mas a união entre fé e razão. Se ajoelha quem reconhece pela fé e a razão Deus, sua presença, sua divindade, sua santidade e também, sua humanidade em Jesus Cristo.

A Liturgia Cósmica: de joelhos aos pés do Senhor

O papa nos diz em sua introdução ao espírito da liturgia que: “a liturgia cristã é liturgia cósmica, precisamente porque se ajoelha perante o Senhor crucificado e elevado”. Estar de joelhos é um gesto cósmico, isto é, quem se ajoelha aos pés do Senhor, se une com todo o cosmos, pois é Ele o criador. Diz ainda: “O gesto humilde com que caímos aos pés de Jesus, insere-nos na verdadeira órbita do Universo”. Sem dúvida, quando se ajoelha acontece uma verdadeira inserção na órbita do universo, ou seja, no movimento da criação. Hoje, muitos cristãos buscam essa inserção por meio de outras espiritualidades provindas de religiões orientais que focalizam a união com o cosmos; por meio da tradição cristã, se entra perfeitamente na ordem da criação, na comunhão com o criador, dispensando qualquer elemento não cristão. A liturgia católica não carece em nada de aspectos cósmicos, pois ela mesma é liturgia cósmica.

A tradição litúrgica da recepção da comunhão na boca e de joelhos

Ao longo de dois mil anos, a Igreja encontrou uma expressão ritual para testemunhar sua fé e seu amor ao sacramento eucarístico. A partir do século VI a Igreja começou a distribuir a comunhão diretamente na boca dos fiéis de joelhos. Isso ocorreu devido ao desenvolvimento orgânico da liturgia ao longo dos séculos, não como uma deturpação como dizem alguns liturgistas. A comunhão na boca e de joelhos é atestada pelos Santos Padres da Igreja dos primeiros séculos.

Portanto, a posição de joelhos é um gesto tradicional na liturgia católica, profundamente cristológico, que insere o ser humano na ordem divina, na comunhão com Deus.


sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

A alegria do sacerdócio!

Lista aponta quais são as dez profissões mais felizes e as dez mais infelizes

Da Redação
  • Clérigos encabeçam a lista dos mais felizes
    Clérigos encabeçam a lista dos mais felizes

O site da revista Forbes divulgou uma lista das dez profissões que mais contam com pessoas felizes e das dez carreiras que tornam os seus profissionais pessoas infelizes. O ranking é resultado de uma pesquisa realizada pela Universidade de Chicago, nos Estados Unidos.

Um dado que surpreende é que a lista das carreiras que proporcionam menos alegrias está recheada de cargos de grande reconhecimento e bons salários; diferentemente da lista dos mais felizes, cuja remuneração não atinge patamares tão altos.

Os clérigos, por exemplo, ocupam o primeiro posto da lista dos mais felizes.

Veja abaixo a lista completa:
MAIS FELIZESMAIS INFELIZES
ClérigosDiretor de tecnologia da informação
BombeirosDiretor de Vendas e Marketing
FisioterapeutasGerente de Produto
EscritoresDesenvolvedor Web Sênior
Professores de educação especialEspecialista Técnico
ProfessoresTécnico em Eletrônica
ArtistasAssistente judicial
PsicólogosAnalista de Suporte Técnico
Vendedores de serviços financeirosOperador de CNC
(Controle Numérico Computadorizado)
Engenheiros de operaçãoGerente de marketing

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Dom Odilo Scherer: “Advento e Natal cristão em família”

O  Cardeal–Arcebispo Dom Odilo Scherer acaba de divulgar, por meio de folhetos distribuídos em todas as paróquias de São Paulo, excelentes instruções para a preparação do Natal. Desejando partilhar com nossos leitores em todo o país as recomendações da Archidioecesis Sancti Pauli in Brasilia, transcrevemos abaixo alguns dos pontos importantes.

Na Instrução, intitulada Advento e Natal cristão em família, Dom Odilo ensina que:
                “O Natal celebra na fé o fato mais extraordinário já acontecido entre nós: o Filho de Deus se fez homem por meio da Virgem Maria, para santificar este mundo e nossas pessoas mediante o Mistério da sua admirável Encarnação. Nosso Deus é “Emanuel”, Deus conosco”.

E recomenda como preparação e celebração do Natal, durante o Advento:
               
“- participar da Missa com freqüência, sobretudo cada domingo;
- celebrar em família a Novena do Natal;
- preparar um presépio em casa, com as figuras do Natal, conforme Lc. 2,6-20 e Mt. 2,1-12, mas ainda sem o Menino Jesus;
- quem tem comércio, preparar também um presépio cristão em sua loja ou estabelecimento de trabalho;
- os pais falem aos filhos sobre o Natal cristão e seus simbolismos. Não deixem escapar esta bela ocasião para uma catequese, nem permitam que Papai Noel tome o lugar de Jesus no Natal;
- fazer uma boa Confissão antes do Natal. Informar-se sobre os horários de Confissão em sua paróquia/igreja;
- participar de ações de solidariedade neste tempo: Natal é notícia boa para todos, mas especialmente para quem sofre;”
 Para todos os dias do Advento, a oração indicada é o belíssimo Angelus, ou Anjo do Senhor, com conclusões diferentes para cada semana:
                1ª Semana do Advento
Ó Deus todo-poderoso, concedei a vossos fiéis o ardente desejo de possuir o reino celeste, para que, acorrendo com as nossas boas obras ao encontro do Cristo que vem, sejamos reunidos à sua direita na comunidade dos justos. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
                 2ª Semana do Advento
Ó Deus todo-poderoso e cheio de misericórdia, nós vos pedimos que nenhuma atividade terrena nos impeça de correr ao encontro do vosso Filho, mas, instruídos pela vossa sabedoria, participemos da plenitude de sua vida. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

                3ª Semana do Advento
Ó Deus de bondade, que vedes o vosso povo esperando fervoroso o Natal do Senhor, dai chegarmos às alegrias da salvação e celebrá-las sempre com intenso júbilo na solene liturgia. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.

                4ª Semana do Advento
Derramai, ó Deus, a vossa graça em nossos corações para que, conhecendo pela mensagem do anjo a encarnação do vosso Filho, cheguemos, por sua paixão e cruz, à gloria da ressurreição. Por Cristo, Nosso Senhor. Amém.
 Na noite de Natal, a sugestão é um pequeno ritual em família, cheio da graça suave e íntima do Nascimento do Senhor:
  “- Na noite do Natal, antes da festa em família, reunir todos perto do presépio, ou no lugar preparado para acolher o Menino Jesus;
  – Acender uma vela;
 - Enquanto se canta um hino de Natal, uma criança ou uma jovem introduz a imagem do Menino Jesus e a coloca no presépio;
 - Ler o Evangelho do nascimento de Jesus (Lc 2,1-20);
 - Em seguida, todos recitam a oração do Angelus, como nos dias da preparação, durante o Advento;
 - Concluir a celebração com a seguinte oração, feita por todos:
                Oremos: Senhor Deus, nosso Pai, que enviastes vosso Filho ao mundo para ser nosso Salvador, nós vos louvamos e glorificamos pela vossa misericórdia. Neste Natal, acolhemos mais uma vez a sua vinda entre nós. Abençoai a nós e a todas as famílias; dai a paz ao mundo, consolai os que sofrem, reavivai nossa esperança e fazei de nós mensageiros e testemunhas do vosso amor para nossos irmãos. Pelo mesmo Jesus Cristo, nosso Senhor.
Amém.
                Canto final: Noite feliz.”
A conclusão do folheto recorda que o dia de Natal e o 1º de janeiro são dias santos de guarda, com assistência à Missa, além de ocasião para partilhar a alegria da família com os pobres e os doentes.
Dom Odilo saúda e invoca as bênçãos de Deus  sobre todos os fiéis, juntamente com seus bispos auxiliares (que assinam com ele esta instrução), e os Arcebispos eméritos, os Cardeais Dom Paulo e Dom Cláudio.
Uma santa unanimidade!