Gostaria de informar que não abandonei o projeto de gravar um curso completo de história da Igreja, apenas o interrompi por um momento porque precisava cuidar de outras coisas. Retomá-lo-ei assim que possível.
Contando com a oração de todos,
William
Este espaço tem como objetivo defender a Igreja e o Papa contra as heresias em voga, bem como compartilhar pensamentos, orações e meditações e, por fim, esclarecer dúvidas referentes ao catecismo, à doutrina ou à história da Igreja.
EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS
sexta-feira, 7 de dezembro de 2012
quinta-feira, 8 de novembro de 2012
A vida no “Reino do Tanto-Faz”
Por Arcebispo Charles J. Chaput
A Reforma, mesmo sem querer, desfez
a síntese medieval entre a fé e a razão. Atualmente nós, de modo romântico,
buscamos uma vida espiritual livre de qualquer autoridade e tradição, ou então,
de modo racionalista, buscamos a verdade como se os seres humanos fossem
autônomos e auto-suficientes.
Virá
o dia em que os católicos não poderão apoiar nenhum dos principais partidos
políticos americanos. Alguns acham mesmo que este dia já chegou. Alasdair
MacIntyre, o filósofo de Notre Dame, argumentou-o nestas linhas há alguns anos,
explicando o porquê de não se poder votar nem em um democrata nem em um
republicano.
Desconheço
o que o Prof. Macintyre fará este ano. De minha parte, bem como da parte de meus
irmãos no episcopado na Pennsylvania, acredito ser importante votar hoje em
cada dia de eleição. Uma consciência católica bem formada pode escolher
sabiamente entre os candidatos. Este ano estão em jogo assuntos de grande importância.
Não
obstante, as eleições são tempos difíceis para os católicos sérios. Se nós
acreditamos na tradição encíclica – da Rerum
Novarum a Evangelium Vitae; da Humanae Vitae a Caritas in Veritate – então não podemos nos sentir confortáveis em
nenhum partido político. Os católicos dão prioridade ao direito à vida e à
integridade da família como pedras angulares da sociedade. Mas também temos
muito que dizer a respeito da economia e da imigração, da dívida desenfreada,
do desemprego, da guerra e da paz. Por isso que os bispos norte-americanos
notaram recentemente que “no ambiente atual, os católicos podem sentir-se
politicamente cassados, com a sensação de que nenhum partido e poucos
candidatos compartilham plenamente nosso compromisso exaustivo para com a vida
humana e a dignidade”.
Qualquer
cristão pode ser tentado a entrar em desespero. Mas a verdade é que sempre as
coisas foram como são. Como escrevera o autor da Epístola aos Hebreus, “não
temos aqui cidade permanente” (Heb 13:14). Agostinho admirava certas virtudes
pagãs, mas foi ele quem escreveu a Cidade
de Deus para nos lembrar que em primeiro lugar somos cristãos e depois
cidadãos do mundo. Precisamos aprender – às vezes de forma dolorosa – a deixar
nossa fé castigar os nossos desejos particularistas.
Nos
Estados Unidos, as nossas tensões políticas derivam dos nossos problemas
culturais. Evidentemente existem exceções, mas em nossos dias nossa cultura antepõe
frequentemente direitos a deveres, satisfação individual à comunidade e dúvida
à fé. Com efeito, aquilo que nos une é nosso direito de ficar perambulando
pelos shoppings e de comprar mais porcaria. É difícil viver uma vida de
virtudes quando tudo em torno de nós, na mídia e mesmo nas vidas de colegas e
pessoas próximas, a disciplina, a moderação e o sacrifício de si mesmo parecem
irrelevantes.
Brad
Gregory, o historiador de Notre Dame, tenta mostrar como nós chegamos a este
ponto em seu recente livro The Unintended Reformation: How a Religious Revolution
Secularized Society (Tradução
livre: A Reforma não desejada: como uma revolução religiosa secularizou a
sociedade). Suas respostas são surpreendentes e, para alguns leitores,
controversas. Porém seu livro também é importante – e a sua capacidade de
explicar as coisas é brilhante.
Gregory alega que o relativismo hodierno e o culto
do consumidor – algo que ironicamente é chamado de “os bens da vida” – possui
raízes que remontam há muitos séculos. O historiador não perde tempo com
nostalgias de uma era de ouro que nunca existiu. Contudo ele realmente mostra,
com uma clareza instigante, que o no século XVI os reformadores protestantes
involuntariamente puseram em marcha certas idéias que acabaram por viabilizar o
egocentrismo atual.
Gregory também mostra que se por um lado os
reformadores acenderam o pavio, os católicos medievais, por outro, haviam
preparado a dinamite. O laicato medieval era, muito frequentemente,
profundamente piedoso. E justamente porque era piedoso é que eles se lembravam
quando seus líderes não o eram. Leigos piedosos tinham desejo de reforma
justamente por causa de sua devoção. O clero da Idade Média tardia também
continuamente pregava uma coisa e fazia outra. Avareza, simonia, nepotismo,
luxúria, liberdade sexual e cisma na hierarquia criaram uma lacuna intolerável
entre o ensinamento cristão e a prática.
Muitos católicos trabalhavam para uma reforma a
partir de dentro. Alguns tiveram sucesso. Franciscanos, dominicanos e cistercienses
devem suas origens à reforma medieval. Humanistas como Erasmo e Thomas More fizeram
parte de uma comunidade internacional de correspondências que estava
determinada a renovar a vida cristã a partir de seu interior. Santos como
Catarina de Sena e Bernardo de Claraval falaram a verdade para os poderes
eclesiásticos.
Mas uma diferença crucial separava estas vozes
católicas dos reformadores protestantes: os católicos acreditavam que os
ensinamentos da Igreja estavam corretos. A única coisa de que ela precisava era
verdadeiramente vivê-los. Os católicos acreditavam que a presença de Cristo na
Eucaristia e nos outros sacramentos, nas Escrituras, nos santos e nas doutrinas
históricas da Igreja oferecia um estilo de vida cristão autêntico, que abrangia
todos os âmbitos da vida, suficiente para santificar a existência humana no
caso de esta estar realmente envolta e esmagada pelos seus abusos.
Os
protestantes, ensinando a sola scriptura,
jogaram fora muitas dessas coisas. Eles acreditavam que o depósito e a estrutura
da fé católica estavam equivocados já nos seus princípios; que Cristo não mais
habitava na Igreja Católica; e que apenas a Escritura comunicava a vontade de
Deus. A sola scriptura mudou tudo na
Cristandade ocidental. “A Igreja” tornou-se “as igrejas” e o processo,
inadvertidamente, mas de modo irrefreável, abasteceu a soberania individual e o
relativismo.
Gregory
diz muitíssimas coisas duras sobre os resultados da sola scriptura. Porém, antes de nos felicitarmos por termos evitado
aquele erro, nós católicos devememos, primeiramente, refletir longamente sobre
o porquê de a vida cristã ter dado oportunidade para uma confusão tão
destrutiva. Muitíssimos líderes católicos do clero – especialmente, mas de
nenhum modo apenas eles – viviam a fé que professavam com um cinismo visível. A
primeira lição de Gregory, pois, é que o modo pelo qual nós vivemos a nossa
vida interessa e muito. O fracasso em se praticar a caritas tem consequências para nossa unitas. Era assim naquele tempo e é assim ainda hoje.
O
Professor Gregory, contudo, não para por aí. Ele está apenas aquecendo.
O
enfoque dos reformadores no sola
scriptura buscava fechar a lacuna entre a pregação cristã e a prática. Mas
tal princípio falhou porque acabou por abrir uma caixa de Pandora de novos
problemas. Interpretações rivais da Escritura, na verdade, intensificaram a
confusão. Luteranos liam a Escritura de uma maneira; já os calvinistas, de
outra. Havia ainda diversos tipos de anglicanos, anabatistas, batistas,
puritanos, pietistas, metodistas e quakers que divergiam em incontáveis casos.
Gregory
também menciona os filósofos seculares que acabaram dando continuidade a tudo
isso. No lugar da sola scriptura, o
iluminismo oferecia a sabedoria: a sola
ratio. De Descartes, passando por Hobbes, Spinoza, Rousseau, Kant, Hume,
Hegel e outros, até Heidegger, Levinas e seus sucessores, deu-se início ao
grande ‘fim da linha’ para a religião revelada e suas tradições e a uma busca
da verdade que estivesse fundamentada apenas na razão humana.
Mas
Gregory mostra que os filósofos não se saíram muito melhor que os reformadores.
Ideias rivais proliferavam. A verdade e as respostas para as grandes questões
da vida continuaram a ser debatidas. Mais recentemente, Nietzsche, Foucault e
os pós-modernistas foram honestos o suficiente para afirmá-lo, e com isso
desprezavam tanto o iluminismo quanto o cristianismo. O resultado disso pode
ser visto no espírito de ironia e ceticismo difundido hoje.
Conforme
Gregory explica, o caos metafísico de nossa cultura contribuiu para a formação
de nossa política, economia e ciência. Não há nada na vida cotidiana que tenha
ficado intacto.
Politicamente
os líderes da Reforma voltaram-se para os governantes temporais para se
protegerem do papado, alimentando com isso o crescimento do estado secular
moderno. Papas e bispos, que outrora haviam sido um contrapeso para o poder
secular, descobriram que na nova ordem eles possuíam muito menos influência
sobre os reis. Os primeiros Estados modernos passaram décadas em guerra uns
contra os outros, evidentemente devido a diferenças teológicas. Mas na verdade,
igrejas e Estados usavam-se mutuamente para os seus fins eminentemente
práticos. Os Estados agarraram a chance de expandir o seu poder e o clero
buscava proteção e apoio da parte do Estado.
O
resultado foi um banho de sangue e a exaustão tanto do ponto de vista militar
quanto do ponto de vista metafísico. A vida intelectual e a prática religiosa
da Idade Média haviam estado incrivelmente unidas. Em um monastério ou em uma
universidade escolástica, a busca pelo saber integrava-se organicamente com a
busca pela virtude. Mas as novas universidades do período pós-Reforma cada vez
mais passavam do controle eclesiástico para o secular. Colocaram a teologia em
uma faculdade separada e de pouco importância, dispensando suas energias para o
treinamento de profissionais e cientistas que pudessem servir às ambições do
crescimento comercial dos Estados.
Ao
ler Gregory, podemos ver que grande parte da história da primeira época da
Idade Moderna nada mais é do que a história de como o mercantilismo e o mercado
suplantaram a Igreja como forças de ordem da vida comum. As primeiras
experiências no campo da tolerância religiosa foram claramente defendidas por
razões comerciais. Desgastados com disputas religiosas que pareciam eternas, os
burgueses do início da República Holandesa pararam de requerer o título de
membro de sua igreja oficial (protestante) e aceitavam de bom grado mercadores
e artesãos de todas as crenças. Inglaterra, América e outros Estados seguiram o
exemplo. Eles reconheciam a religião como um bem público, mas reduziram-na, com
efeito, a uma escolha privada, enquanto que – na prática – reverenciavam o
comércio como um objetivo nacional.
A
Reforma também teve implicações na ciência e na tecnologia. Com graus variáveis
de autoconsciência, eles mudaram o modo pelo qual a cultura ocidental concebia
a natureza e todo o mundo material.
Por
exemplo: ainda hoje, mesmo que os católicos sejam formados pelos sacramentos,
nós continuamos vivendo em um mundo material cheio da presença de Deus. Tanto
para o católico medieval quanto para o moderno, o mundo material é um meio para
a graça divina. Já o desdém dos reformadores para com as obras e os sacramentos
criou, inevitavelmente, uma fé mais voltada para o ego, uma experiência
abstrata.
Como
detalha Gregório, quando os sacramentos deixam de ser patrimônio público para
se tornarem práticas privadas, a mudança cultural torna-se inevitável. Os
ocidentais costumavam crer que o mundo fazia parte de um cosmos espiritual, mas
após a Reforma, aquela confiança deixou de ser compartilhada. Consequentemente,
os mercadores modernos, as universidades e os intelectuais desenvolveram o
hábito de ver a matéria como espiritualmente inerte, o que quer dizer que ela
está disponível para ser manipulada a fim de que possa servir aos desejos
humanos.
Mas
a ciência moderna nunca provou e nunca poderá provar empiricamente que a
natureza é espiritualmente inerte. Enquanto os secularistas (ou
fundamentalistas religiosos) insistirem nisso, eles serão ideólogos, não cientistas.
Os católicos sempre acreditaram que Deus age nas causas naturais e através
delas. Ele revelou-Se a nós em Seu Filho, Jesus Cristo. Porém Deus também
existe de forma absoluta fora da Criação. Ele é completamente Outro. Ele não é
meramente uma Fada Celeste maior ou o Super-Ser nos céus. Em outras palavras, o
Deus cristão não é o tipo de Deus que pode ser “refutado” por algo que possamos
ver sob o microscópio ou através de um experimento. Embora muitos hoje,
obrigados para com uma metafísica anti-sacramental, insistam que deva haver um
conflito entre a ciência e a religião. Isso é falso. E não precisava ser assim.
De
certa forma, o livro de Gregory poderia receber este subtítulo: “a crise de fé
no ocidente e a razão”. A reforma – de modo sincero, zeloso e com as melhores
intenções – liberou as forças centrífugas que desfizeram a síntese medieval entre
a revelação e a filosofia. Desde então, nossa cultura despencou de uma morte
intelectual para outra, ou buscando romanticamente uma vida espiritual livre de
qualquer autoridade e tradição ou querendo encontrar racionalmente a verdade,
como se os seres humanos fossem autônomos e auto-suficientes. A Reforma nos
custou o grande casamento ocidental que havia entre a fé e a razão – ou seja, a
confiança compartilhada de que a fé é pessoal, mas também comum, e de que a
razão não é contrária à fé, mas a aumenta.
Nesta
história, os católicos cometeram erros terríveis e que custariam caro. Conforme
o que ficou dito, a Reforma aconteceu por uma boa razão. Sempre que o Professor
Gregory argumenta, ele o faz com equilíbrio, com respeito por todas as partes e
com detalhes históricos apoiados em diferenças sutis. São 145 páginas dedicadas
às notas. O relato de Gregory sobre a crise de Galileu é especialmente
interessante. Ele explica como os
líderes da Igreja, tendo compreendido corretamente a ameaça da Reforma para a
metafísica sacramental, agiram de forma exagerada e julgaram mal a importância
de Galileu para a Teologia.
Em
nossos próprios dias, sem dúvida, os católicos continuaram a encontrar muitas
maneiras de difamar a fé. A Igreja precisou de muito tempo para articular sua
própria doutrina em bases teológicas acerca da liberdade religiosa. A crise dos
abusos sexuais deu a muitos padres e bispos uma pedra de moinho para que
amarrassem em seus pescoços e se lançassem ao fundo do mar [nota do tradutor:
conforme disse Jesus em Mt 18:6] por terem machucado inocentes e causado crise
de fé em boas pessoas. Também os leigos católicos comuns deixaram-se ser
colonizados pela avareza, pela anarquia sexual e pelo materialismo da cultura
que os cerca. Em muitas instâncias, se olharmos para o modo pelo qual o
católico americano realmente vive, nós também consumimos, relativizamos e
trivializamos como todo mundo.
Cultivar
a virtude, buscar uma vida de auto-sacrifício, viver alegremente e na plenitude
dos sacramentos não é algo que se possa fazer sozinho. É muito difícil. Precisamos
da graça. Precisamos de companheiros. Precisamos ser ensinados e treinados. Por
isso Deus nos deu a Igreja. Mesmo composta por seres humanos que frequentemente
erram, ela é, não obstante, nossa Mãe e sempre será um dom.
A
moderna teoria política ocidental tenta (ou finge tentar) abster-se de ensinar
moralidade. Devido ao fato de nossa sociedade separar tão veementemente a
verdade da ética, os legisladores modernos tendem a endeusar a privacidade
individual e a autonomia. Mas ao fazê-lo, diminuem a importância social
vivificadora da fé religiosa. Esta “neutralidade” legal não é tão neutra. Ao
alimentar a soberania do indivíduo, nossos líderes públicos abastecem a auto-absorção
do consumidor, a confusão moral e finalmente – na medida em que instituições de
mediação como a família e as igrejas perdem as forças – o poder do Estado. A
Reforma conduziu, em passos graduais, indiretos e de modo completamente involuntário,
àquilo que Gregory chama de “Reino do Tanto-Faz”. É um mundo de
hiperpluralismo, onde o significado é auto-inventado por milhões, e por isso a
sociedade como um todo tem grande fome de significado.
Não
é de se surpreender que os católicos achem estes dias de eleições tão
desagradáveis. Ser católico em 2012, ou pelo menos no ocidente moderno, é viver
no fim de uma longa história. Brad Gregory mostra-nos de modo eloquente um
pouco do que isso significa. Nossos fracassos morais e nossas escolhas
intelectuais tiveram consequências ao longo dos séculos. E agora nossa cultura
está alquebrada.
Mas
não precisava – e não precisa – ser daquele jeito. A Igreja ainda está aqui:
ela ainda nos chama para o arrependimento, ainda nos convoca para os sacramentos.
Neste Ano da Fé ela convida os católicos a uma grande e nova evangelização –
não contra os companheiros cristãos de outras tradições, mas em amizade com
aqueles nossos irmãos. A nossa ambição deve ser consertar uma cultura de
descrença e sanar as políticas desumanas que surgem de tal cultura. E se não
pudermos conseguir isso em acordo com nossos companheiros cristãos, então
podemos pelo menos buscar viver o Evangelho com mais fé. Já é hora, aliás, há
bastante tempo, de fechar a lacuna entre nossas palavras e nossas ações; entre
nossa pregação e nossa prática.
O
Professor Gregory nos lembrou, com uma graça e claridade fora do comum, que não
podemos escapar de nosso passado, mas também não precisamos ser capturados por
ele. Só por isso já vale a pena comprar o livro.
Charles J. Chaput, capuchinho
franciscano, é arcebispo de Filadélfia.
Tradução
William Bottazzini
Original
em: http://www.thepublicdiscourse.com/2012/11/6902/
sábado, 13 de outubro de 2012
Escolas infectadas de marxismo
No Brasil, é obrigatória a freqüência dos adolescentes às escolas reconhecidas pelo Estado. Entretanto, nelas está sendo imposta uma educação de tipo socialista.
Cid Alencastro
Os regimes comunistas e assemelhados sempre tiveram empenho em transformar a mentalidade das novas gerações, a fim de que estas assimilem os princípios, doutrinas e práticas marxistas. E o lugar privilegiado para esse fim têm sido as escolas, nas quais professores esquerdistas ministram uma educação de acordo com os interesses do regime. Cuba é disso um exemplo na América Latina.
Tal programa de ação comunista desfigura evidentemente a natureza do ensino, porque a educação deve visar a reta formação do caráter e o desabrochar da personalidade do jovem, com vistas a que ele possa cumprir sua missão específica na sociedade e diante de Deus; e não impingir-lhe idéias deformantes, como as marxistas, que levam o adolescente a transformar-se num robô das planificações socialistas e a ter uma visão falseada e sectária da realidade.
Impasse marxista
Numa ordem religiosa, ao renunciar ao casamento e aos bens materiais por amor de Deus, as pessoas desapegam-se também de vantagens da natureza. Pode-se conceber desta forma o voto de pobreza voluntário e a renúncia a exercer algumas de suas qualidades naturais. Aí se forma uma tal ou qual igualdade, mas em vista de um bem superior, de ordem sobrenatural.
Querer impor a todos os homens de uma nação, por lei ou pela força policial, a renúncia a ter propriedade, a constituir família, queimando no altar do igualitarismo a possibilidade de desenvolver suas aptidões, é suma injustiça. Além de negar a cada um o que é seu, impede-se qualquer progresso social ou humano legítimo. É uma fábrica de revoltados e medíocres.
Reportagem elucidativa
Mostra uma reportagem da revista “Veja” (20-8-08) que, no Brasil, muitos professores e seus compêndios, com a justificativa de “incentivar a cidadania”, incutem nos alunos ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas.
Numa aula de História no Colégio Anchieta, de Porto Alegre, o professor Paulo Fioravanti pergunta: “Quem provoca o desemprego dos trabalhadores?”. Respondem os alunos: “A máquina”. Indaga, mais uma vez, o professor: “Quem são os donos das máquinas?”. E os estudantes: “Os empresários!”. É a deixa para Fioravanti encerrar com a lição de casa: “Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso”.
Há uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por “Veja”. Pobres alunos...
O advogado Miguel Nagib fundou há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido,com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sintomas do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de História gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis... Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: “As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão”.
Estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio provocando miséria, assassinatos e injustiças durante o século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras, diz “Veja”.
A pesquisa
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3000 pessoas de 24 estados brasileiros entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças, e acham que isso é sua missão principal — algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido.
Muitos professores brasileiros se encantam com personagens como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras; e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização.
“Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda — e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado”, diz a geógrafa Sonia Castellar, que há 20 anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).“Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores”, diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (antigo “Curso Oswaldo Cruz”).
O sucesso do homeschooling
A infeliz situação atual do Brasil tem seu precedente na Revolução Francesa, durante a qual o sanguinário Robespierre defendia que “a pátria tem o direito de educar seus filhos; ela não pode confiar essa função ao orgulho das famílias nem aos preconceitos dos particulares” (Hippolite Taine, apud Le Livre Noir de la Révolution Française, Cerf, Paris, 2008 p. 851).
É muito salutar a prática que vem sendo adotada em vários países, de promover ou ao menos permitir a existência da chamada homeschool (algo como escola da família), em que famílias se organizam e criam suas próprias escolas para dar uma educação adequada a seus filhos. Ou então os colocam em estabelecimentos de ensino de pequenas proporções, criados para esse fim por associações nas quais os pais confiam.
De modo geral, os alunos das homeschools têm estado entre os primeiros classificados nos exames vestibulares das universidades. Exemplo característico é, nos Estados Unidos, aSaint Louis de Montfort Academy, patrocinada pela TFP norte-americana.
sábado, 6 de outubro de 2012
O boçal engajado e a máquina de devorar consciências
Abaixo, texto de Sidney Silveira, pessoa que muito admiro e que pode ser considerada como uma das mentes mais brilhantes do catolicismo no Brasil.
Sidney Silveira
A falta continuada de contato com coisas belas e elevadas mutila a alma. Os dois sintomas mais evidentes de que uma pessoa chegou a tal dramático estado são os seguintes: extasiar-se com tolices e ser indiferente ao sublime. Não raro, são sintomas concomitantes num mesmo sujeito — que se superexcita com ninharias, futilidades ou torpezas, enquanto se mostra apático diante de qualquer beleza de ordem superior. Trata-se de alguém capaz de se entediar mortalmente ouvindo uma sinfonia de Bach ou lendo um parágrafo de Vieira, ao passo que sente arrepios de entusiasmo beatífico ao ouvir uma rima bem feita cantada em ritmo sincopado.
Estamos falando de um arquétipo contemporâneo: o boçal engajado. Pessoa de espírito lânguido, em geral ávida consumidora de produtos culturais alternativos cuja esterilidade artística pode ser medida pela tola pretensão de originalidade. Não se trata, propriamente, de um iletrado ou de alguém oriundo das camadas sociais menos favorecidas. Não: o boçal engajado é homem de classe média, habitué de feiras literárias, freqüentador de bienais de livros, encontros artísticos performáticos e exposições. Tem interesse por leitura, sim, mas sem jamais arriscar-se em autores que ou exijam de sua inteligência um maior esforço abstrativo, ou fujam ao limitado universo estético-político em que se embrenhou.
É, no fundo, uma personalidade timorata que precisa apoiar-se na opinião de grupos ou facções, em meio às quais se sente encorajado a manter o dedo em riste para o mundo, sobretudo como crítico da cultura e da política. As suas convicções são, pois, tanto mais altissonantes quanto mais estejam protegidas pela coletividade a que aderiu apaixonadamente. Palavras gastas como “reacionário” e “careta” ainda são recorrentes nos lábios do boçal engajado — em geral um sujeito simpático a ideologias socialistas e que defende todos os tópicos da agenda globalista contemporânea: aborto, casamento homossexual, ecumenismo, marcha das vadias, aquecimento global, etc. E ai de quem esboçar objeções ao que ele jura de pés juntos serem convicções suas!
Em verdade, o boçal engajado nem de longe imagina ser o produto acabado da sociedade orwelliana em que nos coube viver. É, pois, um autômato a repetir slogans, palavras de ordem e conceitos produzidos pela engenharia social que se apossou da sua consciência, não obstante dando-lhe a febril ilusão de liberdade, capacidade decisória e autonomia espiritual. Neste contexto, malgrado a sua patente curiosidade — medida pela busca constante por se informar até a embriaguez acerca de coisas “interessantes”—, a imersão do boçal engajado em baladas culturais é o fiel retrato de uma candente incapacidade reflexiva, pois o padrão mental em que sucumbe está enquadrado nas bitolas pré-moldadas por certa indústria do entretenimento, voltada a públicos com pretensões vanguardistas e libertárias.
Mentalidade adubada no espírito libertino procedente dos iconoclastismos revolucionários da década de 60, ele considera verdadeiramente geniais autores como Marcuse, Lacan, Deleuze, Sartre, Paulo Freire e diversos outros conformadores das últimas gerações. Mas se porventura o inquirimos com o intuito de aquilatar o seu nível de conhecimento a respeito da obra destas ilustres figuras, constatamos não passar de leituras esparsas de pensamentos ou conceitos isolados, geralmente feitas de segunda ou terceira mão, ou seja: em livros de comentadores que repetem os “dogmas” dos seus ídolos como mantras irredutíveis a qualquer análise um pouco mais criteriosa.
Se o boçal engajado ouve, por exemplo, um lacaniano dizer que o único e verdadeiro amor de uma mãe pelo seu filho acontece quando ela morre no parto, acha isto de uma criatividade sem tamanho. Ou então se vê um sartreano proclamar que a liberdade do homem é construir o seu próprio ser, e que o “Em-si” muitas vezes decai num processo de nadificação em direção ao “Para-si”, cai fulminado de amor místico diante do Ininteligível. Tais frases são edulcoradas numa espécie de psicodélica beberagem, e depois saboreadas, sorvidas, degustadas pelo boçal engajado como um olímpico manjar. A idéia que ele faz da filosofia é, como se pode deduzir, a de doidões fumando ópio e exercitando a inebriante debilidade das suas próprias inteligências.
A irreligião do boçal engajado é um bloco de conceitos auto-referentes, contemporaneamente pinçados dos livros de um Richard Dawkins ou de um Michel Onfray, autores da moda cuja leitura, de sua parte, é tão ou mais superficial do que a que teve a oportunidade de experimentar dos gurus acima mencionados. Portanto, quando ateu, o boçal engajado é o materialista que usa o espírito para perpetrar toda sorte de negações, a ponto de ter o próprio bom senso esmagado pela massa assimétrica de idéias avulsas que, repetidas à exaustão, formam uma imagem inexpugnável em sua mente: a de que a religião é algo irracional. Imaginemos, pois, o que acontece se algum desavisado lhe mostra que uma parcela grandíssima das maiores criações humanas — na filosofia, na música, na arquitetura, na pintura, na escultura, no direito, na poesia, na ciência, etc. — provém do mais profundo espírito religioso...
O fragor de sua inépcia mental tem como invólucro um insano otimismo, sobretudo com relação à reforma política das sociedades a partir das idéias que defende — as quais, de antemão, elevou à condição de verdades universais intocáveis. Assim, com a psique emparedada em tal universo, não é tão raro o boçal engajado subir de degrau na escala da esquizofrenia e se transformar num boçal engajante, ou seja: alguém com discurso violento a arregimentar prosélitos e incautos, não raro apelando ao expediente da detração dos adversários, aos quais são aplicadas as etiquetas que ele julgar apropriadas, conforme as situações se foram apresentando.
Quando apóia campanhas de desarmamento, o boçal engajado se sente um Mahatma Gandhi redivivo a pregar a não-violência, enquanto consome e propagandeia todo tipo de filme, música ou literatura em que a violência beira o infernal, alimentando as potências superiores de sua alma — inteligência e vontade — com imagens prenhes das mais macabras e hediondas possibilidades humanas, que, expostas “artisticamente”, acabam por se difundir nas sociedades. Acontece que, como entronizou a liberdade de expressão como ditame fundamental de sua febril existência, o boçal engajado quebra lanças quando, por exemplo, alguma autoridade sensata proíbe a exibição de películas como A Serbian Film, na qual a mais inocente cena é a do estupro de um bebê que acaba de sair da barriga de sua mãe.
Em síntese, a mente deste opiniático personagem é uma selva impossível de debastar, porque foi alimentada com todo tipo de filosofias da insanidade e de estéticas surreais — em que o “belo” é uma espécie “antitranscendental” do ser, pois tem pouco ou nada a ver com a realidade das coisas e do espírito. Daí o fato de o boçal engajado não conseguir perceber, por exemplo, que uma sociedade em que nada é censurável está fadada à autodestruição; não será sequer uma “sociedade”, na acepção da palavra, mas o vale-tudo hobbesiano que acaba por deflagrar a luta de todos contra todos. Com a advertência de que, em Hobbes, este é absurdamente o estado “natural” do homem, mas na verdade tipifica o estágio em que a natureza humana se desfez quase por completo, sobrando-lhe apenas a casca de suas reais potências.
O boçal engajado é pan, metro, supra, homo, meta, pluri, hiper-sexual. Noutra palavras: a sua capacidade de protagonizar façanhas eróticas jamais vistas desde a criação do mundo é simetricamente proporcional à sua incapacidade de ordenar a mente. E isto não é uma metáfora, pois a neurociência tem mostrado o quanto a devoção à pornografia e a um erotismo exagerado causam uma pavloviana super-memória — canalizada apenas para dar vazão ao sexo transformado em vício. Resultado: a estimulação mental quase sem descanso ao sexo causa graves deficiências no córtex frontal, área do cérebro ativada quando o homem engendra raciocínios lógicos ou cognições mais complexas, toma decisões importantes, organiza seu discurso, etc.[1] Daí as freqüentes depressões, insatisfações existenciais, dificuldades de concentração, ansiedade e falta de motivação em uma pessoa com o perfil do boçal engajado, que metaforicamente ejacula o cérebro nosamsara pornográfico em que jaz.
Haveria muitas outras características a destacar a respeito deste arquetípico homem do nosso tempo, como por exemplo a sua maior propensão a ser manipulado pelas técnicas de propaganda política — tão usuais desde que o mundo se transformou uma sociedade de massas. Mas encerremos este texto apenas observando que o boçal engajado é, fundamentalmente, a subespécie de um boçal muito mais refinado, e por isso superiormente deletério: o boçal liberal. Este último é a indômita e caótica mescla de várias idéias revolucionárias norteadoras dos séculos XX e XXI.
Entre outras coisas, o boçal engajado é irreligioso, como acima apontamos, mas o boçal liberal é o corruptor dos princípios da religião e da civilização, com a promessa de que, se o homem contemporâneo comer dos frutos por ele oferecidos, será livre, autônomo, poderoso. O seu primeiro princípio é retirar Deus das sociedades, na forma da lei, defendendo que os planos material e espiritual são realidades separadas por um abismo infinito. Ora, se o homem pode governar-se autonomamente, por que também não o podem as sociedades?
Assim pensa este o sujeito que, consciente ou inconscientemente, opera a máquina de devorar consciências concebida pelo espírito maligno que — segundo dizem — reside entre o tempo e a eternidade.
E hoje atende pelo nome de 666.
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1- Recomenda-se, para entender este mecanismo, a leitura do site Your Braind on Porn, onde há uma excelente bibliografia indicada. Nesta mesma linha, sobre o processo de estupidificação a partir das deformações da sexualidade humana, um grande amigo recomenda o livro Sexual Sabotage, de Judith Reisman.
sexta-feira, 5 de outubro de 2012
quarta-feira, 26 de setembro de 2012
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