EXTRA ECCLESIAM NULLA SALUS

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Nota sobre a gravação das aulas

Gostaria de informar que não abandonei o projeto de gravar um curso completo de história da Igreja, apenas o interrompi por um momento porque precisava cuidar de outras coisas. Retomá-lo-ei assim que possível.

Contando com a oração de todos,

William

quinta-feira, 8 de novembro de 2012

A vida no “Reino do Tanto-Faz”



Por Arcebispo Charles J. Chaput

A Reforma, mesmo sem querer, desfez a síntese medieval entre a fé e a razão. Atualmente nós, de modo romântico, buscamos uma vida espiritual livre de qualquer autoridade e tradição, ou então, de modo racionalista, buscamos a verdade como se os seres humanos fossem autônomos e auto-suficientes.

Virá o dia em que os católicos não poderão apoiar nenhum dos principais partidos políticos americanos. Alguns acham mesmo que este dia já chegou. Alasdair MacIntyre, o filósofo de Notre Dame, argumentou-o nestas linhas há alguns anos, explicando o porquê de não se poder votar nem em um democrata nem em um republicano.
Desconheço o que o Prof. Macintyre fará este ano. De minha parte, bem como da parte de meus irmãos no episcopado na Pennsylvania, acredito ser importante votar hoje em cada dia de eleição. Uma consciência católica bem formada pode escolher sabiamente entre os candidatos. Este ano estão em jogo assuntos de grande importância.  
Não obstante, as eleições são tempos difíceis para os católicos sérios. Se nós acreditamos na tradição encíclica – da Rerum Novarum a Evangelium Vitae; da Humanae Vitae a Caritas in Veritate – então não podemos nos sentir confortáveis em nenhum partido político. Os católicos dão prioridade ao direito à vida e à integridade da família como pedras angulares da sociedade. Mas também temos muito que dizer a respeito da economia e da imigração, da dívida desenfreada, do desemprego, da guerra e da paz. Por isso que os bispos norte-americanos notaram recentemente que “no ambiente atual, os católicos podem sentir-se politicamente cassados, com a sensação de que nenhum partido e poucos candidatos compartilham plenamente nosso compromisso exaustivo para com a vida humana e a dignidade”.
Qualquer cristão pode ser tentado a entrar em desespero. Mas a verdade é que sempre as coisas foram como são. Como escrevera o autor da Epístola aos Hebreus, “não temos aqui cidade permanente” (Heb 13:14). Agostinho admirava certas virtudes pagãs, mas foi ele quem escreveu a Cidade de Deus para nos lembrar que em primeiro lugar somos cristãos e depois cidadãos do mundo. Precisamos aprender – às vezes de forma dolorosa – a deixar nossa fé castigar os nossos desejos particularistas.
Nos Estados Unidos, as nossas tensões políticas derivam dos nossos problemas culturais. Evidentemente existem exceções, mas em nossos dias nossa cultura antepõe frequentemente direitos a deveres, satisfação individual à comunidade e dúvida à fé. Com efeito, aquilo que nos une é nosso direito de ficar perambulando pelos shoppings e de comprar mais porcaria. É difícil viver uma vida de virtudes quando tudo em torno de nós, na mídia e mesmo nas vidas de colegas e pessoas próximas, a disciplina, a moderação e o sacrifício de si mesmo parecem irrelevantes.
Brad Gregory, o historiador de Notre Dame, tenta mostrar como nós chegamos a este ponto em seu recente livro The Unintended Reformation: How a Religious Revolution Secularized Society (Tradução livre: A Reforma não desejada: como uma revolução religiosa secularizou a sociedade). Suas respostas são surpreendentes e, para alguns leitores, controversas. Porém seu livro também é importante – e a sua capacidade de explicar as coisas é brilhante.
Gregory alega que o relativismo hodierno e o culto do consumidor – algo que ironicamente é chamado de “os bens da vida” – possui raízes que remontam há muitos séculos. O historiador não perde tempo com nostalgias de uma era de ouro que nunca existiu. Contudo ele realmente mostra, com uma clareza instigante, que o no século XVI os reformadores protestantes involuntariamente puseram em marcha certas idéias que acabaram por viabilizar o egocentrismo atual.
Gregory também mostra que se por um lado os reformadores acenderam o pavio, os católicos medievais, por outro, haviam preparado a dinamite. O laicato medieval era, muito frequentemente, profundamente piedoso. E justamente porque era piedoso é que eles se lembravam quando seus líderes não o eram. Leigos piedosos tinham desejo de reforma justamente por causa de sua devoção. O clero da Idade Média tardia também continuamente pregava uma coisa e fazia outra. Avareza, simonia, nepotismo, luxúria, liberdade sexual e cisma na hierarquia criaram uma lacuna intolerável entre o ensinamento cristão e a prática.
Muitos católicos trabalhavam para uma reforma a partir de dentro. Alguns tiveram sucesso. Franciscanos, dominicanos e cistercienses devem suas origens à reforma medieval. Humanistas como Erasmo e Thomas More fizeram parte de uma comunidade internacional de correspondências que estava determinada a renovar a vida cristã a partir de seu interior. Santos como Catarina de Sena e Bernardo de Claraval falaram a verdade para os poderes eclesiásticos.
Mas uma diferença crucial separava estas vozes católicas dos reformadores protestantes: os católicos acreditavam que os ensinamentos da Igreja estavam corretos. A única coisa de que ela precisava era verdadeiramente vivê-los. Os católicos acreditavam que a presença de Cristo na Eucaristia e nos outros sacramentos, nas Escrituras, nos santos e nas doutrinas históricas da Igreja oferecia um estilo de vida cristão autêntico, que abrangia todos os âmbitos da vida, suficiente para santificar a existência humana no caso de esta estar realmente envolta e esmagada pelos seus abusos.
Os protestantes, ensinando a sola scriptura, jogaram fora muitas dessas coisas. Eles acreditavam que o depósito e a estrutura da fé católica estavam equivocados já nos seus princípios; que Cristo não mais habitava na Igreja Católica; e que apenas a Escritura comunicava a vontade de Deus. A sola scriptura mudou tudo na Cristandade ocidental. “A Igreja” tornou-se “as igrejas” e o processo, inadvertidamente, mas de modo irrefreável, abasteceu a soberania individual e o relativismo.
Gregory diz muitíssimas coisas duras sobre os resultados da sola scriptura. Porém, antes de nos felicitarmos por termos evitado aquele erro, nós católicos devememos, primeiramente, refletir longamente sobre o porquê de a vida cristã ter dado oportunidade para uma confusão tão destrutiva. Muitíssimos líderes católicos do clero – especialmente, mas de nenhum modo apenas eles – viviam a fé que professavam com um cinismo visível. A primeira lição de Gregory, pois, é que o modo pelo qual nós vivemos a nossa vida interessa e muito. O fracasso em se praticar a caritas tem consequências para nossa unitas. Era assim naquele tempo e é assim ainda hoje.
O Professor Gregory, contudo, não para por aí. Ele está apenas aquecendo.
O enfoque dos reformadores no sola scriptura buscava fechar a lacuna entre a pregação cristã e a prática. Mas tal princípio falhou porque acabou por abrir uma caixa de Pandora de novos problemas. Interpretações rivais da Escritura, na verdade, intensificaram a confusão. Luteranos liam a Escritura de uma maneira; já os calvinistas, de outra. Havia ainda diversos tipos de anglicanos, anabatistas, batistas, puritanos, pietistas, metodistas e quakers que divergiam em incontáveis casos.
Gregory também menciona os filósofos seculares que acabaram dando continuidade a tudo isso. No lugar da sola scriptura, o iluminismo oferecia a sabedoria: a sola ratio. De Descartes, passando por Hobbes, Spinoza, Rousseau, Kant, Hume, Hegel e outros, até Heidegger, Levinas e seus sucessores, deu-se início ao grande ‘fim da linha’ para a religião revelada e suas tradições e a uma busca da verdade que estivesse fundamentada apenas na razão humana.
Mas Gregory mostra que os filósofos não se saíram muito melhor que os reformadores. Ideias rivais proliferavam. A verdade e as respostas para as grandes questões da vida continuaram a ser debatidas. Mais recentemente, Nietzsche, Foucault e os pós-modernistas foram honestos o suficiente para afirmá-lo, e com isso desprezavam tanto o iluminismo quanto o cristianismo. O resultado disso pode ser visto no espírito de ironia e ceticismo difundido hoje.
Conforme Gregory explica, o caos metafísico de nossa cultura contribuiu para a formação de nossa política, economia e ciência. Não há nada na vida cotidiana que tenha ficado intacto.
Politicamente os líderes da Reforma voltaram-se para os governantes temporais para se protegerem do papado, alimentando com isso o crescimento do estado secular moderno. Papas e bispos, que outrora haviam sido um contrapeso para o poder secular, descobriram que na nova ordem eles possuíam muito menos influência sobre os reis. Os primeiros Estados modernos passaram décadas em guerra uns contra os outros, evidentemente devido a diferenças teológicas. Mas na verdade, igrejas e Estados usavam-se mutuamente para os seus fins eminentemente práticos. Os Estados agarraram a chance de expandir o seu poder e o clero buscava proteção e apoio da parte do Estado.
O resultado foi um banho de sangue e a exaustão tanto do ponto de vista militar quanto do ponto de vista metafísico. A vida intelectual e a prática religiosa da Idade Média haviam estado incrivelmente unidas. Em um monastério ou em uma universidade escolástica, a busca pelo saber integrava-se organicamente com a busca pela virtude. Mas as novas universidades do período pós-Reforma cada vez mais passavam do controle eclesiástico para o secular. Colocaram a teologia em uma faculdade separada e de pouco importância, dispensando suas energias para o treinamento de profissionais e cientistas que pudessem servir às ambições do crescimento comercial dos Estados.
Ao ler Gregory, podemos ver que grande parte da história da primeira época da Idade Moderna nada mais é do que a história de como o mercantilismo e o mercado suplantaram a Igreja como forças de ordem da vida comum. As primeiras experiências no campo da tolerância religiosa foram claramente defendidas por razões comerciais. Desgastados com disputas religiosas que pareciam eternas, os burgueses do início da República Holandesa pararam de requerer o título de membro de sua igreja oficial (protestante) e aceitavam de bom grado mercadores e artesãos de todas as crenças. Inglaterra, América e outros Estados seguiram o exemplo. Eles reconheciam a religião como um bem público, mas reduziram-na, com efeito, a uma escolha privada, enquanto que – na prática – reverenciavam o comércio como um objetivo nacional.
A Reforma também teve implicações na ciência e na tecnologia. Com graus variáveis de autoconsciência, eles mudaram o modo pelo qual a cultura ocidental concebia a natureza e todo o mundo material.
Por exemplo: ainda hoje, mesmo que os católicos sejam formados pelos sacramentos, nós continuamos vivendo em um mundo material cheio da presença de Deus. Tanto para o católico medieval quanto para o moderno, o mundo material é um meio para a graça divina. Já o desdém dos reformadores para com as obras e os sacramentos criou, inevitavelmente, uma fé mais voltada para o ego, uma experiência abstrata.
Como detalha Gregório, quando os sacramentos deixam de ser patrimônio público para se tornarem práticas privadas, a mudança cultural torna-se inevitável. Os ocidentais costumavam crer que o mundo fazia parte de um cosmos espiritual, mas após a Reforma, aquela confiança deixou de ser compartilhada. Consequentemente, os mercadores modernos, as universidades e os intelectuais desenvolveram o hábito de ver a matéria como espiritualmente inerte, o que quer dizer que ela está disponível para ser manipulada a fim de que possa servir aos desejos humanos.
Mas a ciência moderna nunca provou e nunca poderá provar empiricamente que a natureza é espiritualmente inerte. Enquanto os secularistas (ou fundamentalistas religiosos) insistirem nisso, eles serão ideólogos, não cientistas. Os católicos sempre acreditaram que Deus age nas causas naturais e através delas. Ele revelou-Se a nós em Seu Filho, Jesus Cristo. Porém Deus também existe de forma absoluta fora da Criação. Ele é completamente Outro. Ele não é meramente uma Fada Celeste maior ou o Super-Ser nos céus. Em outras palavras, o Deus cristão não é o tipo de Deus que pode ser “refutado” por algo que possamos ver sob o microscópio ou através de um experimento. Embora muitos hoje, obrigados para com uma metafísica anti-sacramental, insistam que deva haver um conflito entre a ciência e a religião. Isso é falso. E não precisava ser assim.
De certa forma, o livro de Gregory poderia receber este subtítulo: “a crise de fé no ocidente e a razão”. A reforma – de modo sincero, zeloso e com as melhores intenções – liberou as forças centrífugas que desfizeram a síntese medieval entre a revelação e a filosofia. Desde então, nossa cultura despencou de uma morte intelectual para outra, ou buscando romanticamente uma vida espiritual livre de qualquer autoridade e tradição ou querendo encontrar racionalmente a verdade, como se os seres humanos fossem autônomos e auto-suficientes. A Reforma nos custou o grande casamento ocidental que havia entre a fé e a razão – ou seja, a confiança compartilhada de que a fé é pessoal, mas também comum, e de que a razão não é contrária à fé, mas a aumenta.
Nesta história, os católicos cometeram erros terríveis e que custariam caro. Conforme o que ficou dito, a Reforma aconteceu por uma boa razão. Sempre que o Professor Gregory argumenta, ele o faz com equilíbrio, com respeito por todas as partes e com detalhes históricos apoiados em diferenças sutis. São 145 páginas dedicadas às notas. O relato de Gregory sobre a crise de Galileu é especialmente interessante.  Ele explica como os líderes da Igreja, tendo compreendido corretamente a ameaça da Reforma para a metafísica sacramental, agiram de forma exagerada e julgaram mal a importância de Galileu para a Teologia.
Em nossos próprios dias, sem dúvida, os católicos continuaram a encontrar muitas maneiras de difamar a fé. A Igreja precisou de muito tempo para articular sua própria doutrina em bases teológicas acerca da liberdade religiosa. A crise dos abusos sexuais deu a muitos padres e bispos uma pedra de moinho para que amarrassem em seus pescoços e se lançassem ao fundo do mar [nota do tradutor: conforme disse Jesus em Mt 18:6] por terem machucado inocentes e causado crise de fé em boas pessoas. Também os leigos católicos comuns deixaram-se ser colonizados pela avareza, pela anarquia sexual e pelo materialismo da cultura que os cerca. Em muitas instâncias, se olharmos para o modo pelo qual o católico americano realmente vive, nós também consumimos, relativizamos e trivializamos como todo mundo.
Cultivar a virtude, buscar uma vida de auto-sacrifício, viver alegremente e na plenitude dos sacramentos não é algo que se possa fazer sozinho. É muito difícil. Precisamos da graça. Precisamos de companheiros. Precisamos ser ensinados e treinados. Por isso Deus nos deu a Igreja. Mesmo composta por seres humanos que frequentemente erram, ela é, não obstante, nossa Mãe e sempre será um dom.

A moderna teoria política ocidental tenta (ou finge tentar) abster-se de ensinar moralidade. Devido ao fato de nossa sociedade separar tão veementemente a verdade da ética, os legisladores modernos tendem a endeusar a privacidade individual e a autonomia. Mas ao fazê-lo, diminuem a importância social vivificadora da fé religiosa. Esta “neutralidade” legal não é tão neutra. Ao alimentar a soberania do indivíduo, nossos líderes públicos abastecem a auto-absorção do consumidor, a confusão moral e finalmente – na medida em que instituições de mediação como a família e as igrejas perdem as forças – o poder do Estado. A Reforma conduziu, em passos graduais, indiretos e de modo completamente involuntário, àquilo que Gregory chama de “Reino do Tanto-Faz”. É um mundo de hiperpluralismo, onde o significado é auto-inventado por milhões, e por isso a sociedade como um todo tem grande fome de significado.
Não é de se surpreender que os católicos achem estes dias de eleições tão desagradáveis. Ser católico em 2012, ou pelo menos no ocidente moderno, é viver no fim de uma longa história. Brad Gregory mostra-nos de modo eloquente um pouco do que isso significa. Nossos fracassos morais e nossas escolhas intelectuais tiveram consequências ao longo dos séculos. E agora nossa cultura está alquebrada.
Mas não precisava – e não precisa – ser daquele jeito. A Igreja ainda está aqui: ela ainda nos chama para o arrependimento, ainda nos convoca para os sacramentos. Neste Ano da Fé ela convida os católicos a uma grande e nova evangelização – não contra os companheiros cristãos de outras tradições, mas em amizade com aqueles nossos irmãos. A nossa ambição deve ser consertar uma cultura de descrença e sanar as políticas desumanas que surgem de tal cultura. E se não pudermos conseguir isso em acordo com nossos companheiros cristãos, então podemos pelo menos buscar viver o Evangelho com mais fé. Já é hora, aliás, há bastante tempo, de fechar a lacuna entre nossas palavras e nossas ações; entre nossa pregação e nossa prática.
O Professor Gregory nos lembrou, com uma graça e claridade fora do comum, que não podemos escapar de nosso passado, mas também não precisamos ser capturados por ele. Só por isso já vale a pena comprar o livro.

Charles J. Chaput, capuchinho franciscano, é arcebispo de Filadélfia.

Tradução William Bottazzini

Original em: http://www.thepublicdiscourse.com/2012/11/6902/



sábado, 13 de outubro de 2012

Escolas infectadas de marxismo


No Brasil, é obrigatória a freqüência dos adolescentes às escolas reconhecidas pelo Estado. Entretanto, nelas está sendo imposta uma educação de tipo socialista.
Cid Alencastro
Os regimes comunistas e assemelhados sempre tiveram empenho em transformar a mentalidade das novas gerações, a fim de que estas assimilem os princípios, doutrinas e práticas marxistas. E o lugar privilegiado para esse fim têm sido as escolas, nas quais professores esquerdistas ministram uma educação de acordo com os interesses do regime. Cuba é disso um exemplo na América Latina.
Tal programa de ação comunista desfigura evidentemente a natureza do ensino, porque a educação deve visar a reta formação do caráter e o desabrochar da personalidade do jovem, com vistas a que ele possa cumprir sua missão específica na sociedade e diante de Deus; e não impingir-lhe idéias deformantes, como as marxistas, que levam o adolescente a transformar-se num robô das planificações socialistas e a ter uma visão falseada e sectária da realidade.
Impasse marxista
Quadro do Che Guevara inspira as aulas numa escola em Varadero, Cuba
Mas, de outro lado, os esquerdistas estão diante de um problema quase insolúvel para realizar seus péssimos objetivos: as doutrinas socialistas em geral são profundamente contrárias à natureza humana, constituem uma camisa de força para o homem e a sociedade. Igualitarismo, propriedade comunitária, sociedade sem classes são fenômenos sociais monstruosos. Daí o empenho obsessivo dos regimes de esquerda numa antinatural “educação para o socialismo”.
Numa ordem religiosa, ao renunciar ao casamento e aos bens materiais por amor de Deus, as pessoas desapegam-se também de vantagens da natureza. Pode-se conceber desta forma o voto de pobreza voluntário e a renúncia a exercer algumas de suas qualidades naturais. Aí se forma uma tal ou qual igualdade, mas em vista de um bem superior, de ordem sobrenatural.
Querer impor a todos os homens de uma nação, por lei ou pela força policial, a renúncia a ter propriedade, a constituir família, queimando no altar do igualitarismo a possibilidade de desenvolver suas aptidões, é suma injustiça. Além de negar a cada um o que é seu, impede-se qualquer progresso social ou humano legítimo. É uma fábrica de revoltados e medíocres.
Reportagem elucidativa
Mostra uma reportagem da revista “Veja” (20-8-08) que, no Brasil, muitos professores e seus compêndios, com a justificativa de “incentivar a cidadania”, incutem nos alunos ideologias anacrônicas e preconceitos esquerdistas.
Numa aula de História no Colégio Anchieta, de Porto Alegre, o professor Paulo Fioravanti pergunta: “Quem provoca o desemprego dos trabalhadores?”. Respondem os alunos: “A máquina”. Indaga, mais uma vez, o professor: “Quem são os donos das máquinas?”. E os estudantes: “Os empresários!”. É a deixa para Fioravanti encerrar com a lição de casa: “Então, quem tem pai empresário aqui deve questionar se ele está fazendo isso”.
Há uma tendência prevalente entre os professores brasileiros de esquerdizar a cabeça das crianças. A doutrinação esquerdista é predominante em todo o sistema escolar privado e particular. É algo que os professores levam mais a sério do que o ensino das matérias em classe, conforme revela a pesquisa CNT/Sensus encomendada por “Veja”. Pobres alunos...
O advogado Miguel Nagib fundou há quatro anos, em Brasília, a ONG Escola Sem Partido,com o objetivo de chamar atenção para a ideologização do ensino na sala de aula. Nagib se incomodou com os sintomas do problema na escola particular de sua filha, então com 15 anos, onde o professor de História gostava de comparar Che Guevara a São Francisco de Assis... Foi ao colégio reclamar. Diz Nagib: “As escolas precisam ficar sabendo que muitos pais não concordam com essa visão”.
Estamos no século XXI, o comunismo destruiu a si próprio provocando miséria, assassinatos e injustiças durante o século passado. É embaraçoso que o marxismo-leninismo sobreviva em Cuba, na Coréia do Norte e nas salas de aula de escolas brasileiras, diz “Veja”.
A pesquisa
A pesquisa CNT/Sensus ouviu 3000 pessoas de 24 estados brasileiros entre pais, alunos e professores de escolas públicas e particulares. Os professores, em maior proporção, reconhecem que doutrinam mesmo as crianças, e acham que isso é sua missão principal — algo muito mais vital do que ensinar a interpretar um texto ou ser um bamba em matemática. Para 78% dos professores, o discurso engajado faz sentido.
Muitos professores brasileiros se encantam com personagens como o guerrilheiro argentino Che Guevara, que na pesquisa aparece com 86% de citações positivas, 14% de neutras; e zero, nenhum ponto negativo. Ou idolatram personagens sem contribuição efetiva à civilização ocidental, como o educador Paulo Freire, autor de um método de doutrinação esquerdista disfarçado de alfabetização.
“Eu e todos os meus colegas professores temos, sim, uma visão de esquerda — e seria impossível isso não aparecer em nossos livros. Faço esforço para mostrar o outro lado”, diz a geógrafa Sonia Castellar, que há 20 anos dá aulas na faculdade de pedagogia da Universidade de São Paulo (USP).“Reconheço o viés esquerdista nos livros e apostilas, fruto da formação marxista dos professores”, diz Miguel Cerezo, responsável pelo conteúdo publicado nas apostilas do COC (antigo “Curso Oswaldo Cruz”).
O sucesso do homeschooling
O Estado arvorar-se em educador único da juventude é imoral, uma vez que, segundo ensina a doutrina católica, a educação das crianças compete à família e à Igreja, e só subsidiariamente ao Estado. Ou seja, na melhor das hipóteses o Estado deve ser um auxiliar da família e da Igreja, quando necessário e requisitado para tal.
A infeliz situação atual do Brasil tem seu precedente na Revolução Francesa, durante a qual o sanguinário Robespierre defendia que “a pátria tem o direito de educar seus filhos; ela não pode confiar essa função ao orgulho das famílias nem aos preconceitos dos particulares” (Hippolite Taine, apud Le Livre Noir de la Révolution Française, Cerf, Paris, 2008 p. 851).
É muito salutar a prática que vem sendo adotada em vários países, de promover ou ao menos permitir a existência da chamada homeschool (algo como escola da família), em que famílias se organizam e criam suas próprias escolas para dar uma educação adequada a seus filhos. Ou então os colocam em estabelecimentos de ensino de pequenas proporções, criados para esse fim por associações nas quais os pais confiam.
De modo geral, os alunos das homeschools têm estado entre os primeiros classificados nos exames vestibulares das universidades. Exemplo característico é, nos Estados Unidos, aSaint Louis de Montfort Academy, patrocinada pela TFP norte-americana.

sábado, 6 de outubro de 2012

O boçal engajado e a máquina de devorar consciências


Abaixo, texto de Sidney Silveira, pessoa que muito admiro e que pode ser considerada como uma das mentes mais brilhantes do catolicismo no Brasil.



Sidney Silveira
A falta continuada de contato com coisas belas e elevadas mutila a alma. Os dois sintomas mais evidentes de que uma pessoa chegou a tal dramático estado são os seguintes: extasiar-se com tolices e ser indiferente ao sublime. Não raro, são sintomas concomitantes num mesmo sujeito — que se superexcita com ninharias, futilidades ou torpezas, enquanto se mostra apático diante de qualquer beleza de ordem superior. Trata-se de alguém capaz de se entediar mortalmente ouvindo uma sinfonia de Bach ou lendo um parágrafo de Vieira, ao passo que sente arrepios de entusiasmo beatífico ao ouvir uma rima bem feita cantada em ritmo sincopado.
Estamos falando de um arquétipo contemporâneo: o boçal engajado. Pessoa de espírito lânguido, em geral ávida consumidora de produtos culturais alternativos cuja esterilidade artística pode ser medida pela tola pretensão de originalidade. Não se trata, propriamente, de um iletrado ou de alguém oriundo das camadas sociais menos favorecidas. Não: o boçal engajado é homem de classe média, habitué de feiras literárias, freqüentador de bienais de livros, encontros artísticos performáticos e exposições. Tem interesse por leitura, sim, mas sem jamais arriscar-se em autores que ou exijam de sua inteligência um maior esforço abstrativo, ou fujam ao limitado universo estético-político em que se embrenhou.
É, no fundo, uma personalidade timorata que precisa apoiar-se na opinião de grupos ou facções, em meio às quais se sente encorajado a manter o dedo em riste para o mundo, sobretudo como crítico da cultura e da política. As suas convicções são, pois, tanto mais altissonantes quanto mais estejam protegidas pela coletividade a que aderiu apaixonadamente. Palavras gastas como “reacionário” e “careta” ainda são recorrentes nos lábios do boçal engajado — em geral um sujeito simpático a ideologias socialistas e que defende todos os tópicos da agenda globalista contemporânea: aborto, casamento homossexual, ecumenismo, marcha das vadias, aquecimento global, etc. E ai de quem esboçar objeções ao que ele jura de pés juntos serem convicções suas!
Em verdade, o boçal engajado nem de longe imagina ser o produto acabado da sociedade orwelliana em que nos coube viver. É, pois, um autômato a repetir slogans, palavras de ordem e conceitos produzidos pela engenharia social que se apossou da sua consciência, não obstante dando-lhe a febril ilusão de liberdade, capacidade decisória e autonomia espiritual. Neste contexto, malgrado a sua patente curiosidade — medida pela busca constante por se informar até a embriaguez acerca de coisas “interessantes”—, a imersão do boçal engajado em baladas culturais é o fiel retrato de uma candente incapacidade reflexiva, pois o padrão mental em que sucumbe está enquadrado nas bitolas pré-moldadas por certa indústria do entretenimento, voltada a públicos com pretensões vanguardistas e libertárias.
Mentalidade adubada no espírito libertino procedente dos iconoclastismos revolucionários da década de 60, ele considera verdadeiramente geniais autores como Marcuse, Lacan, Deleuze, Sartre, Paulo Freire e diversos outros conformadores das últimas gerações. Mas se porventura o inquirimos com o intuito de aquilatar o seu nível de conhecimento a respeito da obra destas ilustres figuras, constatamos não passar de leituras esparsas de pensamentos ou conceitos isolados, geralmente feitas de segunda ou terceira mão, ou seja: em livros de comentadores que repetem os “dogmas” dos seus ídolos como mantras irredutíveis a qualquer análise um pouco mais criteriosa.
Se o boçal engajado ouve, por exemplo, um lacaniano dizer que o único e verdadeiro amor de uma mãe pelo seu filho acontece quando ela morre no parto, acha isto de uma criatividade sem tamanho. Ou então se vê um sartreano proclamar que a liberdade do homem é construir o seu próprio ser, e que o “Em-si” muitas vezes decai num processo de nadificação em direção ao “Para-si”, cai fulminado de amor místico diante do Ininteligível. Tais frases são edulcoradas numa espécie de psicodélica beberagem, e depois saboreadas, sorvidas, degustadas pelo boçal engajado como um olímpico manjar. A idéia que ele faz da filosofia é, como se pode deduzir, a de doidões fumando ópio e exercitando a inebriante debilidade das suas próprias inteligências.
A irreligião do boçal engajado é um bloco de conceitos auto-referentes, contemporaneamente pinçados dos livros de um Richard Dawkins ou de um Michel Onfray, autores da moda cuja leitura, de sua parte, é tão ou mais superficial do que a que teve a oportunidade de experimentar dos gurus acima mencionados. Portanto, quando ateu, o boçal engajado é o materialista que usa o espírito para perpetrar toda sorte de negações, a ponto de ter o próprio bom senso esmagado pela massa assimétrica de idéias avulsas que, repetidas à exaustão, formam uma imagem inexpugnável em sua mente: a de que a religião é algo irracional. Imaginemos, pois, o que acontece se algum desavisado lhe mostra que uma parcela grandíssima das maiores criações humanas — na filosofia, na música, na arquitetura, na pintura, na escultura, no direito, na poesia, na ciência, etc. — provém do mais profundo espírito religioso...
O fragor de sua inépcia mental tem como invólucro um insano otimismo, sobretudo com relação à reforma política das sociedades a partir das idéias que defende — as quais, de antemão, elevou à condição de verdades universais intocáveis. Assim, com a psique emparedada em tal universo, não é tão raro o boçal engajado subir de degrau na escala da esquizofrenia e se transformar num boçal engajante, ou seja: alguém com discurso violento a arregimentar prosélitos e incautos, não raro apelando ao expediente da detração dos adversários, aos quais são aplicadas as etiquetas que ele julgar apropriadas, conforme as situações se foram apresentando.
Quando apóia campanhas de desarmamento, o boçal engajado se sente um Mahatma Gandhi redivivo a pregar a não-violência, enquanto consome e propagandeia todo tipo de filme, música ou literatura em que a violência beira o infernal, alimentando as potências superiores de sua alma — inteligência e vontade — com imagens prenhes das mais macabras e hediondas possibilidades humanas, que, expostas “artisticamente”, acabam por se difundir nas sociedades. Acontece que, como entronizou a liberdade de expressão como ditame fundamental de sua febril existência, o boçal engajado quebra lanças quando, por exemplo, alguma autoridade sensata proíbe a exibição de películas como A Serbian Film, na qual a mais inocente cena é a do estupro de um bebê que acaba de sair da barriga de sua mãe.
Em síntese, a mente deste opiniático personagem é uma selva impossível de debastar, porque foi alimentada com todo tipo de filosofias da insanidade e de estéticas surreais — em que o “belo” é uma espécie “antitranscendental” do ser, pois tem pouco ou nada a ver com a realidade das coisas e do espírito. Daí o fato de o boçal engajado não conseguir perceber, por exemplo, que uma sociedade em que nada é censurável está fadada à autodestruição; não será sequer uma “sociedade”, na acepção da palavra, mas o vale-tudo hobbesiano que acaba por deflagrar a luta de todos contra todos. Com a advertência de que, em Hobbes, este é absurdamente o estado “natural” do homem, mas na verdade tipifica o estágio em que a natureza humana se desfez quase por completo, sobrando-lhe apenas a casca de suas reais potências.
O boçal engajado é pan, metro, supra, homo, meta, pluri, hiper-sexual. Noutra palavras: a sua capacidade de protagonizar façanhas eróticas jamais vistas desde a criação do mundo é simetricamente proporcional à sua incapacidade de ordenar a mente. E isto não é uma metáfora, pois a neurociência tem mostrado o quanto a devoção à pornografia e a um erotismo exagerado causam uma pavloviana super-memória — canalizada apenas para dar vazão ao sexo transformado em vício. Resultado: a estimulação mental quase sem descanso ao sexo causa graves deficiências no córtex frontal, área do cérebro ativada quando o homem engendra raciocínios lógicos ou cognições mais complexas, toma decisões importantes, organiza seu discurso, etc.[1] Daí as freqüentes depressões, insatisfações existenciais, dificuldades de concentração, ansiedade e falta de motivação em uma pessoa com o perfil do boçal engajado, que metaforicamente ejacula o cérebro nosamsara pornográfico em que jaz.
Haveria muitas outras características a destacar a respeito deste arquetípico homem do nosso tempo, como por exemplo a sua maior propensão a ser manipulado pelas técnicas de propaganda política — tão usuais desde que o mundo se transformou uma sociedade de massas. Mas encerremos este texto apenas observando  que o boçal engajado é, fundamentalmente, a subespécie de um boçal muito mais refinado, e por isso superiormente deletério: o boçal liberal. Este último é a indômita e caótica mescla de várias idéias revolucionárias norteadoras dos séculos XX e XXI.
Entre outras coisas,  o boçal engajado é irreligioso, como acima apontamos, mas o boçal liberal é o corruptor dos princípios da religião e da civilização, com a  promessa de que, se o homem contemporâneo comer dos  frutos por ele oferecidos, será livre, autônomo, poderoso. O seu primeiro princípio é retirar Deus das sociedades, na forma da lei, defendendo que os planos material e espiritual são realidades separadas por um abismo infinito. Ora, se o homem pode governar-se autonomamente, por que também não o podem as sociedades?
Assim pensa este o sujeito que, consciente ou inconscientemente, opera a máquina de devorar consciências concebida pelo espírito maligno que — segundo dizem — reside entre o tempo e a eternidade.
E hoje atende pelo nome de 666.
________________________________
1-  Recomenda-se, para entender este mecanismo, a leitura do site Your Braind on Porn, onde há uma excelente bibliografia indicada. Nesta mesma linha, sobre o processo de estupidificação a partir das deformações da sexualidade humana, um grande amigo recomenda o livro Sexual Sabotage, de Judith Reisman.

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Sobre o tal fragmento acerca da "esposa" de Jesus


Recentemente uma notícia pareceu abalar a comunidade científica internacional. Karen King, professora de Teologia da prestigiada Universidade de Harvard, anunciou ter encontrado um fragmento do quarto século de cerca de vinte e quatro centímetros quadrados escrito em copta, uma antiga língua das regiões do Egito, onde estaria presente uma frase que parece apontar para o fato de Jesus ter tido uma esposa. No fragmento pode ser lida a seguinte frase: “Jesus disse a eles, minha esposa”.

E lá vamos nós de novo com toda essa história de que Jesus pode ter sido casado. Há alguns anos, o escritor Dan Brown em seu lamentável “Código da Vinci” já havia levantado a hipótese de que Jesus poderia ter tido um relacionamento com Maria Madalena e na ocasião fora vigorosamente refutado por várias personalidades acadêmicas cristãs ou não. Mesmo parecendo desnecessário, isso precisou ser feito porque muitas pessoas não entenderam que se tratava apenas de uma obra (bem ruim) de ficção e acabaram levando a sério toda aquela papagaiada.

Há anos a corrente feminista, que tira as suas más ideias do marxismo, tenta de alguma forma se infiltrar na Igreja. Diante da impossibilidade da aprovação do sacerdócio feminino, tentam desesperadamente arrumar algum meio de provar que houve na história uma “senhora esposa de Jesus”, para tentar abalar o cristianismo em sua raiz e subverter toda a ordem estabelecida.

Ao ler a palavra “esposa” no documento, a professora King já foi logo metendo os pés pelas mãos e tirando a conclusão de que pode se tratar de uma companheira de Jesus. A professora sustenta sua ideia com a afirmação de que nenhum documento da antiguidade diz que Jesus não foi casado. Vemos aqui o uso do famoso argumento ad ignoratiam, ou seja, se ninguém diz o contrário é porque é verdade. Assim, se ninguém nunca disse que não existem mamutes escondidos atrás dos postes da Avenida Paulista, é porque eles devem existir.

Ora se ninguém nunca disse na Antiguidade que Jesus não foi casado, é porque ele realmente não foi casado. Desde os seus princípios a Igreja, sem desprezar o casamento, sempre viu o heroísmo daqueles que se tornaram eunucos (isto é, celibatários) pelo Reino dos Céus e São Paulo diz que é melhor se dedicar exclusivamente às coisas do Alto. É claro que os Apóstolos teriam aprendido estas coisas não apenas da boca de Jesus, mas também de seus atos.

Ademais, deve-se ressaltar que diversos estudiosos já colocaram em dúvida à autenticidade do documento apresentado pela professora King, É provável que se trate de pura e simples farsa, como foi o caso do malfadado Evangelho Secreto de Marcos.

Aquilo que mais espanta é vermos como que uma professora de Teologia lê em um texto referente a Jesus a palavra “esposa” e pensa imediatamente em matrimônio carnal. Acontece que a palavra “esposa” também é empregada no Novo Testamento ao lado do nome de Jesus, e desde sempre esta palavra foi interpretada como sendo a Igreja, a noiva de Cristo. Caso o fragmento seja autêntico, é neste sentido que a palavra esposa deve ser interpretada. E o fato de o achado ser um fragmento também nos coloca em guarda, uma vez que não se pode interpretar praticamente nada de algo que carece de um contexto mais amplo.

Infelizmente há estudiosos que se sujeitam a pegar qualquer pedaço de pau (ou de supostos fragmentos) para atacar o cristianismo.

Padre Bux: “Se queremos salvar almas, voltemo-nos para o Catecismo”


O Papa durante sua viagem apostólica até a França (12 – 15 de novembro de 2008) fez notar que, para muitos, Deus se converteu no “grande Desconhecido”. Uma afirmação ditada pela preocupação – que Bento XVI repete insistentemente – pelo futuro da fé, que parece apagar-se em amplas regiões da Terra. Há pouco mais de um mês, por ocasião da Quinta-Feira Santa, salientou como estamos diante de um renovado analfabetismo religioso. Mas infelizmente este “acreditar do meu jeito” parece às vezes também incentivado por mestres do pensamento que, de dentro da Igreja, semeiam mais a sua própria palavra que a Palavra Divina A própria Itália está se tornando um país “genericamente” cristão.  É necessário, portanto, uma nova evangelização, graças também ao impulso do Pontifício Conselho constituído ad hoc pelo Papa.

Por onde começar? Talvez precisamente pela liturgia, pelo canto sagrado e por novos edifícios de culto, confiados a pessoas que unam fé e talento para propor formas que falem de Deus.

A fé e sua doutrina: aqui está o cerne da questão. Uma fé simples como a dos pastores, das mulheres e dos homens encontrados por Jesus. E não aquela de quem, por exemplo, afirma que a ressurreição de Jesus é apenas fruto da elaboração da experiência dos discípulos.

Por isso o Papa convocou um Ano da fé para que se volte a tomar nas mãos os ensinamentos do Vaticano II e, mais popularmente, do Catecismo. Os livros de pastoral e de sociologia religiosa, por si mesmos, nunca converteram ninguém.  O que se requer, por outro lado, é o conhecimento de Jesus como pessoa histórica, humana e divina, que funda nossa fé. Diante de nossos olhos estão os fatos, diz Santo Agostinho, nas mãos, os escritos: e os primeiros são muito mais importantes que os últimos. Assim, contra a tendência atual, o cristianismo renasce e demonstra que contra a Igreja, divino-humana pela vontade do Fundador, as forças infernais non praevalebunt.

Referíamo-nos, portanto, ao analfabetismo religioso assinalado pelo Papa e pelos bispos e à exigência de combatê-lo com a doutrina cristã, com a “doutrina da fé”. O dicastério vaticano que recebeu este título de Paulo VI é um instrumento imprescindível para a nova evangelização. Bento XVI pediu a todos – bispos, sacerdotes, religiosos, religiosas e leigos comprometidos – que trabalhem em uníssono, para além dos programas ou planos pastorais, com o Catecismo da Igreja Católica.

Não se vai a uma missão de modo disperso, mas todos juntos com o Papa; se se quer combater a secularização que incentivou o analfabetismo religioso, é necessário que nos adequemos a Jesus, que disse: “Minha doutrina não é minha, mas sim d’Aquele que me enviou” (João 7, 16). Por isso deve-se difundir o Catecismo, diz Bento XVI: “Não anunciamos teoria e opiniões privadas, mas sim a fé da Igreja da qual somos servidores”. Mas, sobretudo a alma cristã deve buscar o coração de Jesus para alcançar o coração das pessoas, como fizeram os santos que, exatamente por isso, são tão amados.

Mesmo assim há quem sustente que o cristianismo não serve para salvar a alma. Por isso o Papa, na homília da Missa do Crisma, usou uma expressão fora de moda: o zelo pela salvação das almas. “Não apenas nos preocupamos com o corpo, mas também das necessidades da alma do homem”. Jesus disse: “De que adiante ao homem ganhar o mundo inteiro se perde sua alma?”. Deste modo, deve-se compreender o valor e a importância dos sacramentos, que desde o nascimento até a morte, servem para salvar almas. Os sacerdotes terão ainda zelo suficiente para socorrer um moribundo com o fim de confessá-lo, dar-lhe a Unção e a Comunhão para a salvação de sua alma? A alma do homem é um lembrete de que não se pertence a si mesmo, mas a Deus. Assim, os sacerdotes não pertencem a si mesmos, mas a Jesus Cristo. Necessita-se da doutrina da fé, feita de conhecimento, competência, experiência e paciência. Necessita-se de um renovado impulso apostólico. O dom da fé não está separado do batismo.

De fato, o Papa lembrou ao clero romano que se o ato de crer é “inicial e principalmente um encontro pessoal” com Cristo, como nos descrevem os Evangelhos, “essa fé não é apenas um ato pessoal de confiança, mas também um ato que tem um conteúdo” e “o batismo expressa este conteúdo”. São Cirilo de Jerusalém recorda que nossa salvação batismal depende do fato de que tenha brotado da crucifixão, sepultura e ressurreição de Cristo, realmente ocorridas na esfera física: chama-se a isso de Graça, porque a recebemos no sacramento sem sofrer as dores físicas. Por isso adverte Cirilo: “Que ninguém pense que o batismo consiste apenas na remissão dos pecados e na graça da adoção, como era o batismo de João que conferia apenas a remissão dos pecados. Nós, por outro lado, sabemos que o batismo, assim como pode liberar dos pecados e obter os dons do Espírito Santo, é também figura e expressão da Paixão de Cristo”, como proclama Paulo (Romanos 6, 3-4). “Nós sabemos”, diz o santo bispo de Jerusalém: ao encontro pessoal como o Senhor e ao prosseguir para a salvação, segue necessariamente a doutrina que se transmite através da Escritura e da Tradição da Igreja.

Tudo isso está condensado no Catecismo. É necessário renovar a catequese e a liturgia para que Deus seja conhecido e amado. Isso quer dizer uma verdadeira devoção, necessária na liturgia atual, na celebração dos sacramentos. A devoção ou pietas está constituída pela oferta de si mesmo a Deus. Isso se expressa com o conjunto dos gestos e ritos percebidos como significativos para a vida: participar da Missa, pedir para que seja celebrada pelas próprias intenções, confessar-se e comungar, assistir a outras cerimônias, rezar e cantar hinos, freqüentar a catequese, praticar as obras de misericórdia, visitar um lugar onde se venera uma imagem sagrada ou o sepulcro de um santo taumaturgo, deixar uma oferta, acender uma vela, participar na procissão, levar a imagem sagrada sobre os ombros. Em suma, são estes sinais de invocação, de proteção, de agradecimento, os que fazem a verdadeira devoção que manifesta a fé que nos justifica diante de Deus e nos salva. O Ano da Fé será um tempo propício.

O estudo do conteúdo da Fé – como sublinham especialmente os movimentos eclesiais – é necessário dentro da experiência da fé, para que se torne adulto na fé, superando aquela infância que leva muitos a abandonar a Igreja depois da Confirmação, tornando-se assim incapaz de expor e tornar presente a filosofia da fé, de dar razão dela aos demais. Ser adulto na fé, contudo, não quer dizer depender das opiniões do mundo, emancipando-se do Magistério da Igreja.

Por que ainda ocupar-se disso? Porque não é apenas um pensamento teológico, mas tornou-se uma prática que penetrou lentamente em não poucos setores da vida eclesial. Um dos mais clamorosos é a doutrina sacramental: hoje, o sacramento  já não é percebido como proveniente do exterior, do alto, mas como a participação em algo que o cristão já possui. E já que hoje se gosta tanto de olhar para o Oriente, deve-se dizer – ao menos por honestidade ecumênica – que, para a teologia oriental, o rumo antropológico tomado pela teologia ocidental é um caminho equivocado; o único tema fundamental de toda a teologia de todos os tempos é, e deve continuar sendo, a Encarnação do Verbo, o princípio humano-divino que entrou no mundo “para nós, homens, e por nossa salvação”. O homem separado de Deus não tem possibilidade de sobreviver. Caso contrário, à força de se falar do homem, como aconteceu, já não se fala mais de Deus.

terça-feira, 21 de agosto de 2012

Litania Humilitatis

Aqui está minha tradução para o latim da bela Ladainha da Humildade (Litany of Humility) do cardeal Merry del Val


Litania Humilitatis

Iesu, mitis et humilis corde, exaudi me

A cupiditate, ut amer, libera me Domine
A cupiditate, ut exalter, libera me Domine
A cupiditate, ut honorer, libera me Domine
A cupiditate, ut lauder, libera me Domine
A cupiditate, ut aliis praeferar, libera me Domine
A cupiditate, ut consular, libera me Domine
A cupiditate, ut approber, libera me Domine

A timore, ne humilier, libera me Domine
A timore, ne spernar, libera me Domine
A timore,  ne contemnar, libera me Domine
A timore, ne calumniam feram, libera me Domine
A timore, ne oblivioni tradar, libera me Domine
A timore, ne irridear, libera me Domine
A timore, ne iniuriam accipiam, libera me Domine
A timore, ne suspiciar, libera me Domine

Ut magis alii amentur quam ego, Iesu, da mihi gratiam desiderandi
Ut pluris alii aestimentur quam ego, Iesu, da mihi gratiam desiderandi
Ut alii extollantur in mundi existimatione, ego autem minuar, Iesu, da mihi gratiam desiderandi
Ut alii eligantur, ego autem praeterear, Iesu, da mihi gratiam desiderandi
Ut alii mihi in omnibus rebus praeferantur, Iesu, da mihi gratiam desiderandi
Ut alii me, quoad sanctus fieri possim, sanctiores sint , Iesu, da mihi gratiam desiderandi





Tradução para o latim feita por William Bottazzini

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

O Concílio Vaticano II é o 21º na lista dos Concílios Ecumênicos


Percurso histórico dos 20 Concílios anteriores
Mons. Vitaliano Mattioli*

CRATO, quarta-feira, 8 de agosto de 2012 (ZENIT.org) - No dia 11 de outubro de 2012 celebra-se a abertura do Concílio Vaticano II, o 21º na lista dos Concílios Ecumênicos.

Trata-se de uma oportunidade histórica para lembrar os últimos 20 Concílios Ecumênicos.

Na verdade o primeiro Concílio foi aquele de Jerusalém, citado por S. Lucas nos Atos dos Apóstolos (cap. 15), em torno do ano 50. Chama-se Apostólico porque convocado pelos Apóstolos para resolver algumas questões sobre os judeus convertidos ao cristianismo e a sujeição à lei de Moisés.
Em seguida foram celebrados alguns concílios locais.

Depois da paz de Constantino e do Edito de Milão (na verdade, foi proclamado em Tessalônica), no ano 313, o exercício da nova religião cristã foi reconhecido no Império e a Igreja ganhou a sua liberdade no sentido de que saiu da clandestinidade: de religião não lícita passou a ser reconhecida como religião lícita.

Define-se um Concílio Ecumênico quando não é celebrado por uma Igreja particular, como por exemplo aquele de Elvira (Espanha) no 304, e quando tem a característica de universalidade, quando se convoca todo o Ecúmeno, ou seja os Bispos das várias dioceses. Leva o nome da cidade onde foi celebrado.

I) – Primeiro Concílio de Nicéia (Turquia -19 de Junho a 25 de Julho de 325). Foi convocado pelo "Imperador Constantino para examinar a doutrina de Ário que negava a divindade de Cristo. Este Concílio condenou a doutrina de Ário e definiu o dogma da divindade de Cristo. Formação do Símbolo Niceno (fórmula breve do Credo).

II) – Primeiro Concílio de Constantinopla (Turquia - de maio a Julho de 381). Definiu o dogma da divindade do Espírito Santo. O Espírito Santo é Deus, como o Pai e o Filho. Formação do Símbolo Niceno-Costantinpolitano (fórmula longa do Credo).

III) – Concílio de Éfeso (Turquia - 22 de Junho a 31 de Julho de 431). Contra Nestório, proclamou o dogma de Maria Mãe de Deus, a Teothokos.

IV) – Concílio de Calcedônia (8 de outubro a 1 de novembro de 451). Condenação do monofisismo. Declaração de que em Cristo há duas naturezas (divina e humana), na única pessoa divina.

V) – Segundo Concílio de Constantinopla (Turquia -5 de maio a 2 de Junho de 553). Confirmação das anteriores heresias cristológicas e trinitárias.

VI) – Terceiro Concílio de Constantinopla (Turquia -7 de Novembro de 680 a 16 de Setembro de 681). Condenação do monotelismo. Em Cristo há duas vontades (humana e divina), assim como há duas naturezas, embora sendo uma a pessoa, aquela do Verbo.

VII) – Segundo Concílio de Nicéia (24 de Setembro a 23 de outubro de 787). Sobre a licitude do culto de veneração (e não de adoração) das imagens sagradas, colocando um ponto final na luta iconoclasta. Este segundo Concílio de Nicéia é o último Concílio reconhecido pela Igreja Ortodoxa. O Oriente, com o Concílio de Santa Sofia (879-880) decidiu não reconhecer mais os Concílios celebrados mais tarde pela Igreja de Roma. Esta decisão foi um precedente que levou ao cisma definitivo do 16 de Julho de 1054.

VIII) – Quarto Concílio de Constantinopla (Turquia - 5 de Outubro de 869 a 28 de fevereiro de 870). Tentativa de resolver o cisma do Patriarca Fócio. Confirma-se a licitude do culto às imagens sagradas e o primado do Romano Pontífice.

IX) – Primeiro Concílio de Latrão (Roma - 18 a 27 de marco de 1123). Contra o sistema da investidura leiga. Defende-se o direito da Igreja na eleição e consagração dos Bispos. Também condena-se a simonia.

X) – Segundo Concílio de Latrão (Roma - 4 de abril de 1139). Formularam-se alguns cânones sobre a disciplina do clero.

XI) – Terceiro Concílio de Latrão (Roma, do 5 a 19 de março de 1179). Condenação da heresia cátara; promulgação das leis contra a simonia; estabelecem-se normas e critérios para a eleição papal.

XII) – Quarto Concílio de Latrão (Roma - 11 a 30 de Novembro de 1215). Condenação dos erros trinitários de Joaquim de Fiore. Obrigação mínima da confissão e comunhão pascal. Definição da criação como ato livre de Deus.

XIII) –Primeiro Concílio de Lião (França - 28 de junho a 17 de julho de 1245). Ele reafirma a legitimidade do novo casamento após a morte de um cônjuge. Esclarecimento sobre o purgatório, inferno, céu.

XIV) - Segundo Concílio de Lião (França -7 de maio a 17 de Julho de 1274). Elaborou-se um regulamento para o conclave. Confirma-se a doutrina sobre o Espírito Santo, sobre a sorte das almas depois da morte e sobre o primado do Romano Pontífice.

XV) – Concílio de Viena (França – 16 de outubro de 1311 a 6 de maio de 1312). Supressão da Ordem dos Templários. Sustenta-se que a alma é forma substancial do corpo.

XVI) – Concílio de Constança (Suíça - 5 de Novembro de 1414 a 22 de abril de 1418). Solução do grande cisma do Ocidente. Condenação dos erros de Wicleff e de Huss. Esclarece-se a relação entre o Papa e o Concílio.

XVII) – Concílio de Basiléia, Ferrara, Florença, Roma (Suíça - Itália, 23 de Julho de 1431 a 7 de maio de 1437). Declarações sobre o Espírito Santo, sobre a Eucaristia e sobre os Novíssimos.

XVIII) – V Concílio de Latrão (Roma - 3 de maio de 1512 a 16 de marco de 1517). Declarações sobre a imortalidade da alma e decretos sobre a reforma da Igreja.

XIX) – Concílio de Trento (Itália - Roma – 13 de dezembro de 1545 a 4 de dezembro de 1563). Concílio da Contra-Reforma para corrigir os erros de Lutero e confirmar e esclarecer a doutrina da Igreja na sua totalidade.

XX) – Concílio Vaticano I (8 de dezembro de 1869 a 18 de Julho 1870). Declaração sobre a Doutrina da fé católica contra o liberalismo e o racionalismo. Sobre a estrutura da Igreja. Define-se o Primado do Papa e a sua infalibilidade.

XXI) - Concílio Vaticano II (11 de outubro de 1962 a 7 de dezembro de 1965).

* Mons. Vitaliano Mattioli, nasceu em Roma em 1938, realizou estudos clássicos, filosóficos e jurídicos. Foi professor na Universidade Urbaniana e na Escola Clássica Apollinaire de Roma e Redator da revista "Palestra del Clero". Atualmente é missionário Fidei Donum na diocese de Crato, no Brasil.
[Tradução do Italiano por Thácio Siqueira]

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

Poucas linhas sobre a escravidão


A triste realidade da escravidão fez parte de praticamente todas as culturas da Antiguidade. Na Roma e na Grécia antigas a escravidão era moeda corrente, contudo devemos nos lembrar de que havia várias modalidades de escravidão, sendo muitas delas bastante confortáveis para o escravo, e que a escravidão independia da cor da pele de uma pessoa, mas de sua origem ou de um resultado desfavorável em um conflito. Durante a Idade Média há uma estagnação do comércio humano devido à moral judaico-cristã predominante neste período, embora houvesse comércio ilegal de escravos também nesta época, e o comércio humano, agora de forma quase sempre degradante, pois era feito por razões econômicas, volta a emergir durante aquele período que buscava resgatar a mentalidade pagã escravista dos antigos gregos e romanos: o Renascimento.
 Assim, podemos dizer também que a escravidão já era uma realidade do modus vivendi das populações que habitavam o continente negro, séculos antes da chegada das caravelas européias. A escravidão na África era praticada tanto no centro-sul animista quanto no norte muçulmano, embora aqui ela não acontecesse entre os muçulmanos, mas entre muçulmanos e membros de outras religiões. Seja como for, a escravidão conhecida pela África era mais similar àquela da Antiguidade greco-romana que àquela que lhe foi imposta pela cupidez renascentista. Durante o Renascimento, as recém-formadas nações européias, sempre em competição comercial entre si, valeram-se da mão de obra africana para o desenvolvimento de seus interesses comerciais e estabeleceram verdadeiras companhias de tráfico humano para sanar as limitações de trabalhadores em suas colônias. A mentalidade antropocentrista reinante nesta época, ao colocar o homem no centro, não indicava qual era o homem que deveria ir ao centro. A resposta proposta era que o europeu deveria estar no centro, e daí a justificativa absurda para a escravidão. Mais tarde outros atores serão propostos para o “centro” do Antropocentrismo (o burguês, o proletário, o alemão ariano), e as conseqüências serão ainda mais desastrosas. Poderíamos ainda avançar que o comércio escravista é a conseqüência do fim da idéia de Cristandade dominante na Idade Média e o surgimento dos Estados nacionais: as fronteiras foram geográfica e socialmente estabelecidas.
Os escravos trazidos para a América portuguesa, após dolorosas separações e em condições humilhantes, trabalhavam nas lavouras de cana-de-açúcar, morando em senzalas e alimentando-se dos restos da mesa do senhor de engenho. O trabalho era duro e as punições severas, ademais, de tempos em tempos os escravos eram (re)vendidos nas praças das cidades.